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Cinecasulofilia

0 - fuja! * - razoável ** - bom *** - muito bom, recomendado **** - obra-prima!

quarta-feira, junho 30, 2004

perdi dois

já perdi dois filmes obrigatórios pq perdi a merda da minha carteirinha (onde será que raios deixei esse katzo???): El bonaerense e Ten. Bom, o primeiro da pra ver em video aqqui de gratis; o segundo, deve estrear. Mas tempo e dinheiro fora: tenho que ve-los rapido e no cinema, né?
ppppppppppqqqqqqqqqqqqqqqppppppppppppppppppppp!!!!!!!!!!!!!

O mercador de almas

O MERCADOR DE ALMAS (The long hot summer), Martin Ritt
*

Acabei tbem de ver O mercador de almas, um cinemascope colorido acadêmico do Martin Ritt, diretor q eu gosto (Hud e Paris Blues que o digam). Mas esse é acadêmico, e a adaptação do Faulkner virou "literatura filmada" (no sentido pejorativo), cheio de psicoligismos, descritivismos, e outros ismos (??). Não gostei da direção de atores: Orson Welles careteiro (mas cuja presença física sempre é marcante), Newman com aquela pose de galã metido a besta; J. Woodward insuportável. Ritt se sente mais à vontade qdo o filme exala decadência, relações familiares partidas (ou seja, na parte do ódio, da separação, etc.) mas na parte da reconciliação vira cinema baratésimo, parece novela da globo (o final que o diga, qdo todos casam,...). A gente fica torcendo como um louco pra Woodward ficar solteirona embora ela seja louca pelo Newman, mas só pra sacanear ele, pra mostrar a ele q ele nao consegue tudo o que quer na vida, mesmo que isso represente ferrar sua própria vida (mas será que o casalzinho Newman ficaria separado?... oh....). De qqer forma, não há coragem pra isso: a proposta é o cinema acadêmico, coitado do Ritt (será?), é o filme que precisava fazer.

Mas o filme acrescenta muito pouco: claro que há ritmo, há dramaturgia (embora troncha), sabe enquadrar para cortar, etc, mas é pouco, não há um olhar, o filme não empolga. Pouco para o Ritt que eu esperava. Ainda tem Hombre e orquídia negra (oh...)

O grande roubo

O GRANDE ROUBO (The big steal), Don Siegel
** (ou talvez *)

gravado na futura, numa versão colorizada (pelo menos so teve um intervalo, nao era o cine profissoes...)

um "filme de peripecias", cheio de reviravoltas, e tom de comédia, nada demais, mas tem uma agilidade narrativa, uma simplificação de decupagem mas q as vezes ganha uma certa sofisticacao (esp no inicio - a grua do plano inicial - as tomadas no espelho no inicio no hotel...).

o que me interessou é esse aspecto noir (o filme é de 49) mas q aqui nao vai cair na coisa do destino (o fatalismo), da fotografia escura, etc, mas sim pruma coisa mais de comédia, uma coisa dos "ingênuos adolescentes" numa corrida maluca. Tem uma referência solta ao Relíquia Macabra, mas este Siegel é mais leve.

Tem tbem todo o lance dos mexicanos que envolve o filme. Os americanos, na sua pressa, na sua obsessão pela efeciência, são ingênuos: a polícia mexicana é muito mais esperta porque "deixa os ratos trabalharem". Essa relação EUA-México como desenvolvido-subdesenvolvido é problematizada ao longo de todo o filme. (mas não invertida: a americana aprende como funcionam as coisas qdo enrola o cara da ferrovia com uma historia maluca q ela vai se casar, etc...). Ou seja, cada povo com sua cultura. Me passou uma imagem de tolerância (de forma bem-humorada) positiva.

Filmes do mês

Vamos lá... a primeira lista....

Kanto Wanderer Seijin Suzuki ** (***?)
Performance Irmãos Pretti ??
As bicicletas de Belleville S. Chomet **
Mentiras Jang Sun Woo * (**??)
Cazuza S. Werneck & Walter Carvalho *
Vai e vem João Cesar Monteiro *** (****?)
O outro lado da rua Marcos Bernstein *
Justiça Maria Augusta Ramos **
Veredas João Cesar Monteiro **
Branca de neve João Cesar Monteiro * (preciso rever....)
A comédia de Deus João Cesar Monteiro ****
Viva Voz Paulo Morelli * (0???)
Primavera, verão, outono, inverno... e primavera Kim ki Duk *** (**??)
Mulher Octavio Mendes **
O matador Henry King ***
O grande roubo Don Siegel ** (*??)
O mercador de almas Martin Ritt *

Filme do mês: A Comédia de Deus, de João Cesar Monteiro

terça-feira, junho 29, 2004

Primavera, Verão, outono..., de Kim-Ki Duk
*** (ou talvez **?? mas na duvida como é oriental vai *** mesmo...)


(Escrevi semana passada 60% do texto, mas não consegui tempo nessa merda de trabalho pra postar, entao vai...)


Sabia que as chances do filme ficar em cartaz no Unibanco 2 eram grandes, mas não podia arriscar: ontem, na última sessão, era a hora para ver o "filme coreano", o "Primavera, Verão, outono...", do Kim-Ki Duk, do estranho e maravilhoso A Ilha, que passou no Festival do Rio uns dois anos atras.

O filme é bem estranho, pq é absolutamente diferente e exatamente igual ao A Ilha. Isso pq logo no início ficamos com a impressão do "filme do circuito de arte": o filme de fotografia, o filme de filosofia oriental (o exotismo), a "narrativa comtemplativa", tudo com muitas aspas...

Mas se o filme é exatamente isso (e a música melosa - péssima - é o melhor exemplo) ele tbem não é, ele é cheio de coisas do cinema de ki duk e do cinema oriental.

E aí o filme se aproxima do A Ilha: não só nas "ilhas flutuantes" ou na "integração/maldade com a natureza", mas porque o filme trata desse "desejo de auto-destruição" e da "impossibilidade da incomunicabilidade" - os dois grandes temas (a princípio) do cinema de Ki-Duk.

E é quando ficamos pensando em cenas esquisitas como a dos dizeres de "culpado" colados na testa e olhos enquanto as lágrimas escorrem - ou as cenas do cara quebrando o gelo.

Mas vale a pena, sempre vale a pena (sem referências ao mala do F. Pessoa, please,,,,)

Mulher

Mulher, de Octavio Gabus Mendes, Cinédia, +-1930
**

Essa semana dei uma escapada pra ver o Mulher, que eu já tinha visto com o Hernani no MAM, mas francamente nao me lembrava nada. Bom,mas nada demais.

A decupagem é bem estranha: o diretor opta muito pelos planos-detalhe, que dá uma visão claustrofóbica e às vezes mórbida, e as vezes jogando a espacialidade pro espaço (nesse caso, bola dentro).

Tem um lance da sensualidade que tem sua pas-de-scandale (oh!) mas que funciona. É melodrama, e tem o lance da repressão da sensualidade e da presença da mulher numa sociedade conversadora, mas o olhar pela sensualidade traz a atenção para o filme.

Mas o que mais me agradou foram os "pontos fracos" do filmes, uma versão da intimidade que surge no cotidiano da mulher pobre (um violão tocando, etc.) em contrapartida com o cotidiano da sociedade rica (e um olhar irônico/sarcástico) da frivolidade desse mundo. Isso convence, e atraves disso OGM mostra sua visão de cinema.

não deu...

Essa semana foi foda: vi O outro lado da rua, Cazuza e Justiça (se bem que Justiça foi bom), e ainda Viva voz no vídeo. Preciso de pausa: isso me irrita, me cansa, embora absolutamente necessário.

Hoje definitivamente não deu pra ver Espelho d´água...

O matador

O Matador - Gunfighter, dir, Henry King
Telecine Classic
***

Hoje vi O Matador, do Henry King, e realmente é impressionante. O filme tem um postulado ético muito forte e presente ao longo de todo o filme. É um faroeste B que a princípio o diretor teria muito pouca margem de manobra para fazer um trabalho criativo. e assim King opta pela simplicidade, e a decupagem é de uma austeridade muito muito convincente. Tudo é dramaturgia, como o bom e velho cinema americano.

Há duas cenas que me impressionaram muito, muito mesmo. A primeira é qdo o xerife vai lá avisar à professora que o Ringo está na cidade. O xerife chega à escola; os alunos estão eufóricos pq não tem aula. Não sabemos que a professora é a tal mulher do Ringo. Como o diretor vai mostrar isso? Com uma cena de enorme simplicidade, com o recurso mais básico do cinema: o campo-contracampo. 1) O xerife abre a porta; 2) a porta sendo aberta e revelando o xerife; 3) CC - um grande plano geral - a professora sozinha sentada na mesa no fundo da sala - ela está cabisbaixa; 4) =2: volta para o xerife. Ou seja, tudo está lá: a solidão, o destino, a paixão ambígua do xerife pela professora; a inocência perdida; o papel do tempo; a estética da simplicidade; a distância afetiva. Tudo está lá com um simples campo-contracampo. E mais: um recurso dramatúrgico de puro cinema - ficamos sabendo sem nenhuma palavra que a professora é a tal mulher do Ringo.

Outra cena foi qdo o filho do Ringo adentra a sala e vê o pai. Ringo está olhando pela janela, preocupado se algum herói desocupado vai invadir a sala para tentar matá-lo. Surge o garoto, com uma espontaneidade, com uma ligeireza... e aí, no instinto, o Ringo puxa o gatilho, e, num segundo, percebe que é o filho, e fica com vergonha de sua reação, e baixa os olhos. O principal pistoleiro do velho oeste não consegue encarar uma criança, seu próprio filho! Mas é tudo o que está em jogo no filme, e tbem tudo é decidido num simples campo-contracampo.

Esses dois momentos são chave no filme, e a sensibilidade do diretor é saber apreender esses momentos e carregá-los de dramaturgia. Mas o filme todo é bom, e o roteiro é muito forte (aliás, do Andre de Toth). E é tão psicológico, e sobre a perda, regeneração, etc. quanto os psicológicos quanto Shane e cia. E anterior. Belo filme.

segunda-feira, junho 28, 2004

Lista 60 filmes brasileiros

Acabei fazendo uma lista de 60 filmes brasileiros que julgo essenciais. É uma lista careta, acadêmica, de introdução. Ei-la.

Uma lista de 60 filmes brasileiros obrigatórios

Primórdios
1 Panorama do Cinema Brasileiro Jurandyr Noronha
2 Limite Mário Peixoto
3 Ganga bruta Humberto Mauro
4 Braza dormida Humberto Mauro
5 Aitaré da Praia Ciclo do Recife
6 Alô Alô Carnaval Ademar Gonzaga (Cinédia)

Chanchadas
7 O homem do Sputnik Carlos Manga
8 Nem Sansão nem Dalila Carlos Manga
9 Alegria de viver Watson Macedo
10 Carnaval Atlântida José Carlos Burle

Vera Cruz
11 Tico-tico no Fubá Adolfo Celi
12 O cangaceiro Lima Barreto

O modelo independente
13 O canto do mar Alberto Cavalcanti
14 Sai da Frente Abílio Pereira de Almeira (com Mazzaropi)
15 O homem dos papagaios Armando Couto (Multifilmes)

Pré-Cinema Novo e alternativas
16 Cinco Vezes Favela vários
17 O pagador de promessas Anselmo Duarte
18 Assalto ao trem pagador Roberto Farias
19 Os cafajestes Ruy Guerra
20 Porto das Caixas PC Sarraceni
21 Grande momento, O Roberto Santos
22 Noite Vazia Walter Hugo Khouri
23 As amorosas Walter Hugo Khouri

Os filmes de NPS pré-cinema novo
24 Rio Quarenta Graus Nelson Pereira dos Santos
25 Rio Zona Norte Nelson Pereira dos Santos

Cinema novo: a fase rural
26 Deus e o diabo na terra do sol Glauber Rocha
27 Os fuzis Ruy Guerra
28 Vidas Secas Nelson Pereira dos Santos
29 A Hora e a vez de Augusto Matraga Roberto Santos
30 Menino de Engenho Walter Lima Jr.

Cinema novo: a fase urbana - a crise
31 A grande cidade Cacá Diegues
32 O desafio PC Sarraceni
33 Terra em transe Glauber Rocha
34 O bravo guerreiro Gustavo Dahl
35 São Paulo S/A Luís Sérgio Person

Cinema novo: a fase alegórica
36 Macunaíma Joaquim Pedro de Andrade
37 O dragão da maldade contra o Santo Guerreiro Glauber Rocha

O pós-cinema novo e a Embrafilme
38 Os inconfidentes Joaquim Pedro de Andrade
39 Guerra conjugal Joaquim Pedro de Andrade
40 A idade da Terra Glauber Rocha
41 Tudo bem Arnaldo Jabor
42 Todas as mulheres do mundo Domingos de Oliveira
43 São Bernardo Leon Hirzsman
44 O amuleto de Ogum Nelson Pereira dos Santos
45 Memórias do Cárcere Nelson Pereira dos Santos
46 Cabra Marcado para morrer Eduardo Coutinho
47 Bye bye Brasil Cacá Diegues
48 A lira do delírio Walter Lima Jr.
49 Pixote Hector Babenco

O cinema marginal
50 O bandido da luz vermelha Rogério Sganzerla
51 O anjo nasceu Julio Bressane
52 Matou a família e foi no cinema Julio Bressane
53 Bang Bang Andrea Tonacci
54 A Margem Ozualdo Candeias
55 À meia-noite levarei sua alma José Mojica Marins

A pornochanchada
56 Ainda agarro esta vizinha Pedro Carlos Rovai
57 O império do desejo Carlos Reichenbach
58 Os paqueras Reginaldo Farias

A "retomada"
59 Central do Brasil Walter Salles
60 Edifício Master Eduardo Coutinho

quinta-feira, junho 24, 2004

Olá

Olá (a todos? a mim mesmo? a quem?)
abri o bloq.
Para quê? Para quem?
Para falar de cinema? Para falar de mim?
Para que alguém leia?

Por que escrever?
Cada vez mais acho que a palavra nada diz. A palavra engana; a palavra é traiçoeira.

Mas como deixar de escrever?

Por que escrever?
Se cada vez mais acho a crítica de cinema uma bobagem, algo leviano...

Bom, é melhor que comecemos...