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Cinecasulofilia

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sábado, agosto 20, 2005

Dois Filhos de Francisco

Dois Filhos de Francisco
De Breno Silveira
Palácio 1 sex 19 agosto 18:20


Nada que possa justificar o tamanho alvoroço de vários setores da mídia e do jornalismo brasileiro. O Globo dando bonequinho em pé aplaudindo; o Merten apelando, dizendo que é uma prova de brasilidade, o grande filme popular do cinema brasileiro, etc, etc. Sabemos que a época é de vacas magras, mas – pelamordideus – por que agora essa necessidade de glorificar o filme?

As pequenas virtudes do filme estão todas no trabalho da direção. Breno Silveira, o fotógrafo da Conspiração, realizou seu primeiro longa num projeto que ninguém levavas fé: todo mundo estava doido para malhar o filme. Mas pouco a pouco começaram a surgir bochichos de que seria o filme do ano do cinema brasileiro, o que surpreendeu a todos. Os preconceitos em relação à “dupla de caipiras sertanejos” floresceram de um forma tipicamente brasileira. Todos caçoaram de Breno Silveira e do projeto. Mas isso deve ser dito: o diretor realizou um projeto decente, digno, por ter tirado os aspectos propagandísticos e ter se concentrado na dramaturgia da história de uma família que tinha um sonho de vencer na vida.

O maior mérito de Breno Silveira foi apostar no meio tom: preocupado em fazer com que o filme não fosse exagerado na pieguice e no melodrama, Silveira segurou o freio de mão, e essa é a grande virtude do filme. Como diretor-fotógrafo, Breno conseguiu segurar sua onda virtuosística até na fotografia: um, trabalho simples, mas bastante funcional. Na decupagem, alguns problemas, típicos de um diretor estreante, até porque o filme não é de trivial realização, com várias locações, passagens de tempo e pequenas mudanças de tom. Mas Breno apostou no básico, no feijão com arroz, e daí fez seu filme. Os atores, todos ótimos, isso é o mais impressionante, dado que o diretor não tem nenhum currículo de dramaturgia. Outra coisa que se fez notar [é que o filme devia ser bem maior, mas que foi cortado para dar os 120´de duração. Com isso, alguma falta de preparação (por exemplo, na cena do acidente) se fez notar. Outra virtude: um filme trabalhado muitas vezes na questão do olhar, e com um tempo de cinema na reação dos personagens. Mas nada que nos faça suspirar por ser um trabalho extraordinário ou acima da média. Nenhum seqüência, nenhum aspecto em particular salvam o filme do ordinário, do feijão com arroz.

Tudo bem acharmos que é incrível como Breno Silveira conseguir fazer um trabalho decente quando tudo levaria a crer que seria um péssimo filme. Mas isso não esconde o fato de que Dois Filhos de Francisco é um trabalho limitado, e nunca, nunca chega a ser um filme acima da média, um trabalho que conquiste, encante, deslumbre. As possibilidade de o filme ser sobre um Brasil que vence suas dificuldades porque acredita no seu sonho e em sua criatividade e ainda de o filme ser um percurso sobre o interior do Brasil, acabam fracassando.

Outra: pelo menos é um filme que olha para um Brasil interior sem um olhar paternalista e sem piedade. Mas é só ver Aopção, do Candeias, para fazer hmmmmmmmmmm.... a esse Dois Filhos de Francisco. Claro.

Última: Merten, Breno Silveira nesse filme conseguiu o que Glauber e Nelson juntos não conseguiram? Fala sério...

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