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quinta-feira, setembro 29, 2005

(FEST RIO) O Perfume do Incenso, de K. Kinoshita

Kinoshita, artesão

O Perfume do Incenso
De Keisuke Kinoshita
Estação Botafogo 3 qua 28 20hs
**

O cinema de Kinoshita é repleto dos signos do cinema clássico: o domínio da mise-en-scene, a transparência da narrativa e dos sentimentos morais dos personagens, as convenções de um cinema de gênero. O obediente Kinoshita, que conseguiu realizar seu grande sonho de realizar um filme (escapando de seu ofício de assistente de fotografia), está dedicado a seguir a grande tradição das artes japonesas, dedicando-se fielmente a aperfeiçoar as ferramentas expressivas de seu ofício: é um simples artesão devoto às tradições do cinema japonês. No entanto, esse típico oriental desfolha, um a uma, os elementos de cinema com grande maturidade e sabedoria: sem pressa, delicadamente, como lhe parece ser possível.

Em O Perfume do Incenso, durante suas mais de três horas de projeção, o espectador é projetado para uma atmosfera de um romance quase épico, em que várias gerações, épocas de um Japão histórico e famílias se cruzam para contar a história de um mulher solitária condenada por seu destino. Sua luta pela dignidade é a luta de um Japão, e parece representar o cinema devoto de Kinoshita. Fiel a seus princípios, o cinema de Kinoshita abençoa os passos dessa mulher com uma intimidade e um frio distanciamento tipicamente oriental. Mas o que mais nos emociona em O Perfume do Incenso é a descrição da vida que um mulher proibida de amar pelo destino. Ou melhor, mostra a luta de uma mulher pela possibilidade de preservar sua dignidade moral, ainda que a vida a impeça de amar. De um lado, sua egoísta mãe; de outro, seu amante distante, pelas obrigações da sociedade e da profissão. O destino é a solidão. Filmado com grande elegância formal, com planos com grande profundidade de foco e notável domínio do enquadramento em cinemascope, ainda que entremeado de alguns movimentos de zoom que hoje parecem datados, O Perfume do Incenso é um melodrama feminino delicado e ligeiramente frio, conservador, resignado ante as convenções da sociedade e do destino, cujo grande projeto é a manutenção da tradição da família japonesa. Ainda assim, seu clima de melancolia, sua elegância formal, a harmonia e o equilíbrio da mise-en-scene de Kinoshita resgata a força interior e o interesse por esse ainda pouco visto realizador japonês.

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