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Cinecasulofilia

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segunda-feira, outubro 03, 2005

(FESTRIO) Águas Tempestuosas

Águas Tempestuosas
De Jean Gremillon
Est Botafogo 3 sab 1 15:15
**

Gremillon ainda é muito pouco conhecido fora da França, mas tem uma cinematografia coerente, ainda ligada ao fim do realismo poético francês do fim dos anos trinta, mas que tem entre seus admiradores cineastas do nível de Straub e Welles. Remorques é o terceiro filme de Gremillon que vejo (o Telecine Classic já exibiu O Céu Lhe Pertence e Gula de Amor, dois bons filmes), e parece um tanto ligado ao tom pessimista e determinista dos filmes de Marcel Carné, especialmente Cais das Sombras (pelo mesmo Jean Gabin e pelo uso do porto e do navio como sinais de um destino). A trama de Remorques é bastante banal: o capitão representado por Jean Gabin tem uma mulher de saúde frágil e se apaixona por outra de personalidade mais forte e atraente. Mas o que impressiona no filme é a habilidade de Gremillon em criar uma atmosfera soturna, em que o mar acaba sendo o principal protagonista, evocando de forma sombria o destino dos personagens. É ele quem dita quando os personagens se aproximam e se afastam um dos outros. A câmera de Gremillon é elegante, com travellings largos que dão ao filme uma leveza característica dos filmes franceses mais acadêmicos, mas Gremillon é sábio, e não quer simplesmente encantar o espectador com piruetas visuais. Apesar de todo o apelo do destino e do tom fatalista, seu cinema é sóbrio, um tanto rigoroso, basicamente centrípeta (tudo converge para o interior da tela), com exceção do som do mar que permeia todo o filme. Ao final, fica uma sensação positiva, ainda que por trás de enredo bastante primário, por como o diretor comsegue dar um “tom” bastante peculiar ao filme.

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