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quinta-feira, outubro 06, 2005

(FESTRIO) Um Trato em Canção Japonesa Pornô

Um Trato em Canção Japonesa Pornô
De Nagisa Oshima
Estação Botafogo 3 qua 21:15
***

Olha, muito bom mesmo esse filme do Oshima. Um filme para ser revisto, até porque o filme tem mudanças de tom que me desnortearam, e eu já estou muito cansado com esse festival e ainda vi o filme sentado no chão. O filme começa com um olhar sobre “a juventude transviada” japonesa e com grandes desafios formais, por isso lembrava o Três Bêbados Ressuscitados. Só que aos poucos vemos que o objetivo de Oshima não é só esse, o do cinema formalista de quebra da narrativa clássica e das piadinhas sobre isso (quase godardiano) mas pouco a pouco acaba se revelando profundamente humano sobre o destino desses quatro meninos que sempre estão juntos. O filme muda de tom num hotel, em que o dono acaba se suicidando (mais um tema típico do cinema japonês). Um dos meninos fala para uma das meninas (antes, o filme faz várias gracinhas com o fato de os meninos quererem entrar no quarto delas para passar a noite...) que foi ele quem matou o cara, porque na verdade, ele teve a chance de salvá-lo mas preferiu não fazê-lo. Isso porque (talvez) ele não se achasse no direito de salvá-lo, já que, se o cara escolheu morrer, quem era ele para dizer o contrário. (Isso segundo minha leitura do filme, o que é complicado, já que eu sempre troco a história e esqueço tudo...rsrs). Isso desenvolve uma transformação tanto no personagem masculino quanto no feminino. A partir daí, o filme assume um clima ambíguo, às vezes mórbido, doloroso e estranhamente melancólico sobre essa necessidade de continuar caminhando (tanto os personagens quanto o próprio filme!) com toda a liberdade de antes mas vivendo com o fato dessa morte. Até o final, em que há uma seqüência meio mística bem estranha que não entendi direito, uma espécie de festa, sempre em torno de uma fogueira que reúne todos esses traumas reunidos. Os personagens botam para fora suas tensões, especialmente as sexuais (os garotos sonham em estuprar uma das meninas), e o filme coloca em xeque se isso é verdade ou não, encenação ou filme, ou ainda um filme dentro do filme (evidentemente). Os personagens perguntam se tudo é um sonho, e isso me lembrou muito o filme do Aoyama, mas enquanto Aoyama no final chega a uma espécie de equilíbrio, no do Oshima o filme acaba no ápice da confusão, com os personagens completamente desorientados se devem prosseguir ou não. Aí a gente sai bolado, procurando na programação quando vai passar de novo, e evidentemente não vai passar nunca mais.

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