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Cinecasulofilia

0 - fuja! * - razoável ** - bom *** - muito bom, recomendado **** - obra-prima!

quarta-feira, novembro 30, 2005

Sensacional! Acabei de receber o primeiro comentário crítico sobre meu primeiro curta em película (sobre os vídeos já recebi alguns). É do site cinequanon, escrito pelo crítico (?) Fernando Watanabe. Segue seus comentários sobre o modesto O POSTO:

O Posto de Cinecasulófilo
Uma fábula sobre o poder, engenhosamente metaforizada por um roteiro correto até demais. A atuação falsa dos atores parece aqui ser um mérito, apesar do trabalho de câmera ser irregular. Uma situação absurda que este curta aproveita bem, sem maior alcance, sem força.

Estou em dívidas com esse blog, que é falar sobre os filmes. Minha vida está muito corrida. Quero fazer uma avaliação sobre como foi esse Festival de Brasília; queria ainda falar da emoção que foi ver Cinema, Aspirinas e Urubus antes de viajar (ainda que essa lembrança tenha se “espraiado” um pouco no tempo). Queria falar (talvez, tenho dúvidas) de uma ou outra coisa que vem acontecido nesses dias. Não sei se terei tempo. Não sei se terei energia. Não sei se viverei até lá (provavelmente sim). Ou, o que vem primeiro: não sei se vale a pena.

Mas já começando: esse festival já valeria a pena por ter presenciado a primeira sessão pública de EU ME LEMBRO, o filme de estréia de Edgar Navarro. Foi um momento de grande emoção, e como eu chorei durante a sessão!! Sim, porque todo um cinema brasileiro estava ali com Navarro (espero que vocês se lembrem da antológica entrevista de Navarro publicada aqui, que ele dizia que “Cinema é atraso de vida” e que queria “despongar” do cinema). Assim que começa a primeira voz em off no filme não dá pra se segurar: tudo no filme é um cântico cerimonioso à possibilidade de viver. Como disse Navarro nos inesquecíveis momentos em que subiu ao palco: “Este filme é uma vitória sobre o caos, sobre a morte”. É um filme de uma celebração à vida, ao cinema. Um filme que destrói qualquer possibilidade de rancor, de desespero ou de desconsolo. Um filme profundamente honesto. Ainda que eu não tenha me empolgado particularmente com a visão de cinema do filme (tem alguns clichês e coisas que me incomodam), não dá pra negar: não consigo falar sobre o filme, apenas da emoção absoluta que foi presenciar aquela sessão, em descobrir aquele baiano de quase 60 anos que só agora vem fazer seu primeiro longa, pulando como uma criança que olha todo esse passado doloroso com muita maturidade e muita energia. Navarro nem fez um grande filme, mas aquela foi uma grande, enorme sessão de cinema, uma das mais marcantes sessões de cinema que presenciei na minha vida, um desses raros momentos que nos fazem perseverar na possibilidade de querer fazer cinema como objetivo de vida.

Queria falar sobre o curta do Camilo Cavancanti. Ainda não sei se gostei ou não gostei. Ao mesmo tempo em que o filme me impactou muito, em que há muito em comum no que eu busco no cinema, houve também um certo desejo de distância, porque há um deslumbramento muito grande com o artifício, um desejo de fazer um filme grande e suntuoso. Acho que a fotografia oprime o filme, e acho o filme bastante irregular. Atualmente vivo um momento em que o desejo pela estrutura me fascina. Talvez até por isso estou com uma tendência preocupante para o cinema clássico. Hoje para mim o cinema é arquitetura. E o belo filme do Camilo tem enormes momentos mas tenho dúvidas se realmente é um trabalho acabado. Dúvidas, a serem pensadas numa revisão.

Queria tbem escrever com mais calma sobre DORMENTES, o curta do Joel Pizzini. Belíssimo filme. Vou ver se consigo.

Macacos me mordam? Rap, o canto da Ceilândia? FALA SÉRIO!!!!!!

segunda-feira, novembro 28, 2005

Estou no Festival de Brasilia com meu primeiro curta em 16mm. Isso me deixa muito orgulhoso. Aqui há várias pessoas conhecidas no meio, falando que há tantos anos atrás estiveram aqui com seu primeiro filme. Obervo e aprendo. Estou aprendendo muito com os debates e com a apresentação dos cineastas no palco, antes de passar o filme.
A principal lição é que preciso escapar do amadorismo. É preciso sempre crescer, fortalecer-se profissionalmente, não só artisticamente para atingir os objetivos.
Os cineastas são bastante preparados (por incrível que pareça), assim como a equipe técnica. O Festival de Brasilia me deu essa impressao, de que as pessoas tem sim o que discutir e sabem o que querem.
A safra de longas está bem boa: nenhum dos trabalhos é vergonhoso, tipo um cerro do jarau ou diario de novo mundo em Gramado. Os filmes sao bem realizados e os diretores sabem o que querem. a qualidade tem me surpreendido.
inclusive nos curtas. O curta tem um apelo facil no publico que me incomoda. as pessoas riem, reagem de imediato ao que é mais facil, mais primario, mais obvio, e eu acho que no curta isso se revela com mais facilidade. Mas a otima recepção ao filme do Camilo Cavalcante me fez pensar que o oposto é possível, um cinema existencial se bem recebido SE HOUVER um trabalho por trás (ie um dominio tecnico e um curriculo)

sábado, novembro 26, 2005

Lima e Oliveira

O que me emocionou mesmo foi o debate, no dia seguinte, sobre o filme. Os atoers, esp a Irene Ravache, mostraram muita competência ao falar do filme. Mas Lima Duarte deu um show quando falou sobre como é filmar com Manoel de Oliveira. Ele contou histórias sobre o bom humor de Oliveira, e como ele desafiava a morte, com 97 anos. Uma jornalista perguntou ao velho português: "- E o futuro?". Lima disse que ele resopndeu: "-Meu futuro? O futuro que desejo é o paraíso, pelo clima, ou então o inferno, pelas companhias." E que Lima Duarte se inspirou no velhinho português para compar seu personagem, como uma espécie de homenagem e gratidão ao cineasta português.

Depois daquele Baile
de Roberto Bomtempo
Cine Brasília, sab 26 20:30
**

Acho que estou ficando um velho sentimental, porque apesar de todos os preconceitos que estavam na minha cabeça antes do filme e de um enorme sono, o longa de estréia do ator Roberto Bomtempo em muito superou a minha expectativa. Não que seja um filme memorável: atravessa o filme um conjunto de clichês e de sentimentos fáceis sobre o amor e a amizade. Uma espécie de comédia romântica da terceira idade pontuada por música o tempo todo e por bons sentimentos.Mas o filme acaba convencendo porque o diretor acredita no filme e o entrega para um conjunto de atores maravilhosos, que levam o filme.E também porque ele segura os tons, e o filme acaba não caindo no dramalhão fácil, embora resvale nele.Um filme sobre o afeto, como Bomtempo fez questão de marcar.Me surpreendeu também a segurança da direção, na decupagem, no trabalho com os atores, no trabalho do tempo e da intimidade das cenas. Ou seja, para um estreante, é um longa bem realizado em seu ofício, e é de um diretor que sabe o que quer.O filme apresenta uma proposta clara de cinema, anida que eu não compartilhe com ela, então cumpre a função de um primeiro filme com mais eficiência que muita coisa que eu já vi por aí.O plano final me emocionou, porque é um sinal de que o reencontro é possível, e depois tem uma bela grua que mostra BH lá no fundo, a cidade pulsando junto com o filme. Meio clichê, mas dá uma arrepio na gente.Nada demais, mas se o cinema brasileiro tivesse mais "bailes" não estaria pior.

BSB

FLASHBACK:
Estou no saguão da sala Martins Pena. Faltam dez minutos para começar a sessão. Um momento que esperei quase quatro anos para acontecer está ali, à minha frente. As pessoas conversam, mas ouço os ponteiros do relógio, uma contagem regressiva. Enfim, chega a hora. A sessão acontece. O filme passa. Algumas pessoas gostam; outras, não. Ao final, o que muda? O que muda após o sinal de "missão cumprida", depois de quatro anos?

Depois de quatro anos, aconteceu o que eu tanto queria. Satisfeito?

PRESENTE:
Estou na internet escrevendo sobre a sessão. Foi a pior das cinco sessões em que foi exibido o curta. Não gostei. O debate, sofrível.

E de tudo, o que fica?

O Festival é ótimo, mas não estou ao nível do Festival. Contando as horas para chegar terça-feira.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Sobre a Argentina

Achei melhor tirar o que estava escrito no blog.
De qqer forma, copiei e colei para mim, como um diário pessoal de viagem.

A viagem para a Argentina foi ótima, e aliás dá de 10 no Brasil, em termos de estrutura, da cortesia das pessoas, etc. um lugar bom para se morar.

As imagens que filmei foram bem legais, valeu a pena ter levado a filmadora.

O ponto negativo da viagem evidentemente foram as pessoas, ou melhor, as pessoas com quem viajei. A decepção foi grande, mas é difícil ficar juntos 10 dias seguidos numa viagem onde tudo é novo e as pessoas se ouriçam. Deu pra sentir alguns dos lados mais lastimáveis do ser humano. No final, a grana e os egos falam mais alto: sempre os dois. O egoísmo e a falsidade. Bom, vida que segue. Estou de volta.

Mais alguma coisa do que estava antes que vou deixar:

Sobre as imagens filmadas:
A principio, resisti, mas depois acabei fazendo algunas filmagens aquí na Argentina. Caminando pela Corrientes, comecei a pensar o que essas imagens representavam para mim.

O que é a Argentina para mim, ou pelo menos, qual é a Argentina que vejo a partir do meu olhar? Ora, a Argentina é o que vejo, o que passa por mim, ou seja, é muito mais eu do que a Argentina.

Por isso, as imagens sao as minhas imagens de sempre. É como se eu estivese filmando o Em Casa versao Argentina. Ou seja, é meu filme de sempre: imagens vazias, camera parada, lugares ermos, cartelas dividindo os lugares. “No hay personas” na minha Argentina: simplesmente as pessoas nao me interessam, me causa embaraco tentar falar com as pessoas e nao conseguir (äs vezes é mais facil falar ingles do que español). Nao é que as pessoas nao sejam simpaticas ou interesantes (ao contrario) mas eu é que nao sou simpático nem interessante.

É como o belíssimo filme do Jarmusch Stranger than Paradise. Os dois amigos saem de casa querendo achar num lugar outro uma nova vida, uma energia que eles nao tinham em casa. Mas o que eles acham na cidade da prima nada mais é do que eles mesmos. Eles continuam a ser o que sempre foram, nao é o lugar que fará muda-los do dia para a noite.

Filmar como o Em Casa: estou em casa e estou no estrangeiro. Estou deslumbrado com o lugar (tudo é novo, tudo é belo) mas ao mesmo tempo me causa uma tristeza. Nao sei ao certo se essa tristeza é por causa de uma saudade ou é uma tristeza natural, uma “tristeza da vida” (qualquer lugar é tao ruim quanto o nosso lugar). Tudo tem uma novidade mas ao mesmo tempo tudo é velho (os mesmos planos que o Em Casa). Tudo é novo e nao ha nada novo: é a forma como vejo minha primeira viagem ao exterior.

Sobre a saudade:
A saudade faz parte de mim. Tenho saudades de mim mesmo, de algo que nao cheguei a conhecer. Nao consigo ficar longe de casa. Tenho saudades de tudo, mesmo que a viagem esteja ótima. Tenho saudades de dormir abracado com a menina de Vënus, porque as noites aquí estao muito frias. Ontem vi a estreia de Belíssima na Globo Internacional. Queria estar ao lado da minha mae vendo a novela, comentando como a novela é cheia de gruas desnecesarias. Queria estar jantando uma sopinha feita por ela. Depois queria ligar para o Rö, dizer como os argentinos sao politizados e aquí é muito melhor que o Brasil. Nao consigo ficar longe de casa. Caminando pela Corrientes, pela Santa Fé, com as maos cheias de algumas bolsas, me deu uma felicidade mas ao mesmo tempo uma tristeza, uma saudade. Este é um texto boboca de quem está gostando da viagem mas queria voltar para o Brasil.

sábado, novembro 12, 2005

AGORA É PRA VALER!!!!
SAIU O RESULTADO OFICIAL E REALMENTE VOU VIRAR FUNCIONÁRIO PÚBLICO PRO RESTO DA MINHA VIDA!!!
Por isso nao sei se rio ou se choro, mas enfim é uma meta muito sofrida que consegui realizar no ano.