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Cinecasulofilia

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domingo, dezembro 04, 2005

mais um

Foi ótima a sessão de estréia de ABISMO, no Ateliê da Imagem. Apesar da chuva, as pessoas que lá estavam (cerca de 30 pessoas) estavam interessadas no que viam (ou seja, é melhor qualidade do que quantidade). A sessão foi muito boa, aliás, há muito tempo não via uma sessão de curtas tão boa: Plataforma, Aquário da Memória, o estranho filme do Raphael, até o filme do Caselli foi bom.... Minha fala antes do filme, dizendo que a vocação da sessão no Ateliê da Imagem era a da experimentação foi muito apropriada, e levei algumas anotações sobre o ABISMO para distribuir para as pessoas (gostei muito da iniciativa, sugerida pela minha mãe). Moacy Cirne, em seu incansável Balaio Vermelho comentou a sessão com muita propriedade. Eis seus comentários sobre ABISMO:

BALAIO INCOMUN 1629
Uma folha porreta desde 1986
Rio, 3 de dezembro de 2005

“ (...) No segundo deles, Abismo, de Marcelo Ikeda, a proposta da radicalidade aponta para outro tipo de narrativa, contrapondo-se à obra anterior com alta voltagem reflexiva: isto não é um filme tradicional. Em seus 21 minutos, aparentemente nada acontece: nenhum corte, nenhum movimento de câmera, nenhuma ousadia formal, nenhuma ação dramática mais intensa, a não ser a cristalização significante da própria interioridade ontológica do autor-ator-personagem, que, no banheiro de sua casa, ao sair do chuveiro, diante de um espelho, tem reações que vão da alegria ao choro, da indiferença à náusea. Como disse Ikeda, em nota distribuída, "ABISMO procura se inspirar livremente nos ideais de Jerzy Grotowski, traduzindo-as para o vídeo, acreditando que o curta-metragem seja o formato ideal para a experimentação, como um contraponto às fórmulas da banalização promovidas pela publicidade, pelo cinema hollywoodiano e pela televisão". Sem dúvida, se Grotowski propunha um teatro pobre, Ikeda propõe um cinevídeo pobre, correndo todos os riscos da não-compreensão por parte do público e da crítica. Não é fácil gostar de suas realizações que primam pela anticinemacidade. Mas exatamente aqui, nesta desesperada anticinemacidade, reside a sua principal qualidade: é possível pensar a imagem audiovisual fora dos padrões estético-ideológicos manipulados pela publicidade, por Hollywood, pela televisão.”

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