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Cinecasulofilia

0 - fuja! * - razoável ** - bom *** - muito bom, recomendado **** - obra-prima!

terça-feira, agosto 29, 2006

O Império dos Sentidos

O Império dos Sentidos
De Nagisa Oshima
DVD seg 28ago 22hs
0 ½

Confesso que vi com grande expectativa esse Império dos Sentidos pela primeira vez, ainda mais porque admiro o cinema do Oshima e em especial seus primeiros filmes, como Túmulo do Sol e Juventude Desenfreada, mas com esse filme me passou a sensação de um O Último Tango em Paris: um sentido de decadência (decadência de estilo, e não estilo sobre a decadência) e um pas de scandale. Ou seja, o filme milimetricamente feito para chocar, sendo que nada choca. Hoje, pelo menos, soa datado e os aspectos típicos do melodrama barato florescem. E olha que – apesar de eu ser um conservador a cada dia que passa – as cenas de sexo explícito em nada me chocam ou me deixam atônito com o grau de ousadia do diretor (oh!). Mais atônito fiquei com a mulher puxando o bilau (de verdade) de um menininho de cinco anos, até ele gritar dizendo que ela o está machucando.

A ousadia: o encontro da ex-prostituta e do senhorio. Ele larga tudo para ficar com ela. O amor começa a ficar intenso até se tornar doentio. O amor se confunde com a dor, até que ela o mata. Meio como o Matador do Almodóvar, só que feito bem antes. Mas Almodovar filmou muito melhor, diga-se de passagem.

O Império dos Sentidos me lembrou muito os filmes do Galante dirigidos pelos paulistas, como o Walter Hugo Khouri. Ou seja, se fosse brasileiro cairia tranquilamente no total ostracismo. Como é oriental e foi proibido, virou cult.

Em termos da cultura oriental, o filme é mais complexo, e merece uma reflexão maior antes de eu falar besteira. Mas parece que o Oshima tem uma certa raiva anárquica dessa tradição oriental e quer jogar tudo para as cucuias. Mas de um certo ponto de vista o filme é sobre a impossibilidade de se amar plenamente, mas se for realmente sobre isso, faltou muito para desenvolver o tema.

Algumas elipses, algum desejo por um cinema não muito convencional e a entrega do trabalho dos atores (os planos-sequência das tentativas de estrangulamento) tiram o filme do total equívoco. Para mim, pelo menos, muito pouco, e uma grande decepção.

segunda-feira, agosto 28, 2006

(quinto poema sobre as varandas)

 

5.

 

Quando estou aqui sentado neste banco

na porta da varanda

é como se eu não estivesse aqui

Sinto o vento me levar pra longe

e o som do trânsito me faz pensar

que há vida aqui

 

Aqui sentado neste banco

tudo parece tão próximo

Até chego a pensar que ouço

os passarinhos

 

Mas aqui neste banco

também estou em casa

Estou completamente cercado

repleto de mim

 

como se fosse uma borboleta

lutando para não sair do seu casulo

por medo de desabrochar

 

(ainda sobre as varandas; rascunho...)

 

4  ½ .

 

(Rascunho de intenções)

 

Da janela do meu quarto

vejo o dia anoitecer

 

Na sacada da minha varanda

sinto a brisa do anoitecer

 

Na calçada de minha rua

vivo a vida enquanto anoitece

 

 

Você está longe

mas é como se estivesse logo ali

ao lado das samambaias

 

Seu sorriso cinza

combina com minha alma

 

daqui a pouco já é noite

 

sábado, agosto 26, 2006

Zuzu

Zuzu Angel
de Sergio Rezende
Odeon qui 24 18:30
*

Vou confessar que eu me surpreendi com o Zuzu. Esperava que fosse pessimo, mas o filme tem alguns meritos, embora modestos.
Sem duvida o filme caba caindo num esquematismo e nas formulas dos "filmes-de-biografia", contando sua historia de maneira, no maximo, correta, isso quando em alguns momentos nao acaba tropecando numa certa dificuldade da transicao entre passado-presente, ou mesmo na mise-en-scene (entradas e saidas do quadro e especialmente abrandar os supostos tempos mortos, o que achei a maior dificuldade da direcao - exemplo: i) Zuzu chega em casa mas nao le a carta imeditamente, o que a camera deve mostrar nesse meio-termo?; ii) Zuzu chega em casa mas nao recebe o telefonema sobre a captura do filho imediatamente, o que a camera deve mostrar nesse meio-termo? etc)

Mas se eh certo que o filme tem esse tom correto, de uma grande producao que nao quer arriscar nada e que nao ha um espaco nem para o mergulho do drama dessa mae nem para o mergulho numa realidade brasileira de forma realmente contundente, eh preciso notar que o filme tem momentos de cinema, simples mas emocionantes.

A primeira meia hora do filme eh pessima, mas na metade final o filme tem belos momentos. Um deles eh a aparicao do Nelson Dantas, ele comendo um prego, nao podendo falar. Outra (para mim a melhor do filme) eh o show com a Elke Maravilha, num boite cantando uma cancao alema. Essa cena tem o clima certo, o tempo certo, embora simples, mas muito funcional. Em seguida ha um corte maravilhoso, e a camera vai para o ceu, faz uma pan para baixo e vemos um belo jardim.

Ha momentos bonitos. Um deles eh quando um correspondente americano almoca com Zuzu. Ele diz a ela que a admira por sua coragem. Ela diz "Eu nao sou corajosa. Quem foi corajoso foi o meu filho". Pode ser meio piegas mas eh bonito isso, como ele encena isso num campo-contracampo enxuto. Tem uma conversa de mae e filho num banco de praca, quando o filho a carrega no colo... essas coisas... Tem tambem o final, com o carro e o acidente, que achei bem funcional, com uma pan mostrando as estrelas. Achei bonito o assassino tentando desligar o radio com a musica do Chico Buarque e nao conseguindo. Simplesmente ele nao conseguiu fazer calar a voz daquele radio, daquela musica.

Coisas simples, mas que fizeram o filme sair do equivoco total de suas propostas. Fez tambem ter a certeza de que o filme nao eh como Olga.
Flavio Bauraqui otimo. Othon Baston de marechal ficou mais esquematico. Patricia Pilar de histerica (como na cena do tribunal) passa do ponto, mas quanto ela esta quieta, esta melhor.

No geral, acima das expectativas mas nao chega a ser recomendavel.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Cafune, o primeiro filme do Bruno Vianna, esta tentando chacoalhar alguma coisa.
Nao em termos da linguagem, nao em termos do que o filme apresenta, mas no processo de distribuicao, do lancamento do filme.
O filme ja foi prejudicado porque, na minha avaliacao, nao houve uma estrategia efetiva para o circuito de festivais, sejam nacionais sejam internacionais.
Mas por outro lado a gente sabe como eh dificil esse circuito dos festivais.

Mas Cafune esta com uma proposta muito interessante de distribuicao.
Por um lado, Bruno esta disponibilizando o filme na internet para download, mesmo com o filme em cartaz nos cinemas.
Ele recusou a estrategia tradicional, de cartazete e bus door, e buscou a rede, a internet, para dinamizar o filme.

Fez tambem um lancamento misto, com copias digitais e em pelicula.
Optou por lancar primeiro numa praca (RJ), e so depois ir de praca em praca com o filme.

Mas o mais interessante e que o filme - na versao dos cinemas - passa com finais diferentes.
Isso mesmo! Dependendo do cinema que voce for ver o filme, o filme pode ter um ou outro final.

Isto me lembra o que Kieslowski queria fazer com A Dupla Vida de Veronique.
Ele queria lancar o filme com varios finais em varios cinemas.
Nao conseguiu, mas fez com que na versao americana o final fosse diferente do da versao francesa.

Vamos ver os resultados de Cafune, mas de qualquer forma, esse "repensar" das estratagias tradicionais de distribuicao eh muito bem vindo.
E sucesso ao filme do Bruno Vianna, que eh muito gente boa...

Intervalo Clandestino

Intervalo Clandestino
de Eryk Rocha
*

Intervalo Clandestino vem num momento oportuno (a chegada das eleicoes) para buscar refletir um pouco sobre o que representa o processo politico brasileiro, e a decepcao do povo brasileiro com a eleicao de Lula, ja que tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.

O filme procura a principio nao ser conclusivo, apenas coletando depoimentos de pessoas anonimas nas ruas, que mostram sua visao sobre a politica brasileira.
Mas nao somos ingenuos para pensar que o filme eh totalmente em branco. Claro que ele conclui. E sua conclusao eh apresentar "o fim do sonho", a desesperanca do brasileiro na politica, quem quer que seja que venha a ser eleito.

Nao da pra nao comparar. Eryk tem na cabeca retomar a politica como tema do filme pensando em seu pai. Ele ainda tem uma certa dificuldade de cortar o cordao umbilical. Para o bem e para o mal.

Mas qual eh o projeto de cinema, de politica e de Brasil que o filme propoe, ao constatar o vazio dos ideais das pessoas de hoje?
Nenhum. Intervalo Clandestino fracassa nisso, e nesse ponto, concordo com a critica de Inacio Araujo na Folha sobre o filme.
E digo ainda: Eryk caiu na armadilha de seu proprio discurso.
Primeiro, chamando atores (como Godot Quincas) para dar depoimentos para o filme, o que acho questionavel.
Segundo, por tentar evitar se posicionar em relacao aos depoimentos dos populares, o filme acaba perdendo a forca de ter um olhar mais contundente sobre o momento que passamos.

"A voz do povo eh a voz de Deus", seria um bom resumo da proposta do filme.
Mas esse certo "populismo" acaba sendo ingenuo, porque, se por um lado revela essa indignacao, tambem revela a incapacidade da articulacao de um discurso, seja de entendimento dessa falta de credibilidade seja para criar uma alternativa para superar a crise.
Nisso, o filme de Eryk tambem acaba sendo ingenuo, seja como atitude politica (para dar conta da complexidade do fenomeno) seja como cinema (simplesmente registrando os populares), e fica no meio do caminho de diversas coisas.

A se destacar: o filme tem um trabalho de linguagem (camera, corte e som) que enxerga o documentario como processo de criacao, fugindo de um tom mais convencional, e ate o aproximando da videoarte, com uma estetica mais arrojada, que ja dera tipica dos curtas e dos trabalhos anteriores do diretor. Os blocos sao organizados livremente, sem cartelas, ou quebras para definir a divisao dos temas. Destaca-se tambem, principalmente, a participacao ativa do som, e o exemplar uso da edicao de som e da construcao de uma paisagem sonora rica e criativa.

Se o filme nao consegue dar conta do processo politico brasileiro, como se propoe, sua principal funcao eh mostrar a vitalidade estetica do atual documentario brasileiro, fugindo de um tom mais cerimonioso ou de um formato televisivo e buscando novas formas esteticas de se documentar.

Por fim, a se lamentar o desastrado lancamento do filme, que poderia ser muito melhor trabalhado, dado o momento das eleicoes e a filiacao do diretor.

Hoje aconteceu algo relevante na critica de cinema dos jornais cariocas. Ruy Gardnier comeca a escrever critica semanal no jornal O Globo, e ja comeca a colocar sua proposta de um cinema contemporaneo, num debate sobre a validade de Miami Vice com Rodrigo Fonseca. O texto eh interessante porque mostra que o Ruy tambem pode escrever de forma objetiva.

E apesar de eu ter diversas (inumeras) discordancias, tanto a nivel pessoal quanto a nivel profissional, com o critico/ser em questao, de fato eh uma luz no fim do tunel no sentido de um resgate a um espirito pensante nos segundos cadernos cariocas.

Me parece que o Ruy ja tinha escrito nesta semana algo denunciando o embuste que eh este Anjos do Sol...

(quarto poema sobre as varandas; meu teclado esta sem acentos...)

4.

Tenho uma puta vontade de dizer algo
que nao sei o que e
o vento assopra as persianas
e uma penumbra tremula
reveste o quarto de incerteza

Nao sei o que devo
te dizer

Quando abro a janela
entra o vento das ramagens
e a fumaca das latarias

Nao quero fingir pra mim mesmo
que ainda e possivel
deixar de te ver

Na varanda
ausculto as nuvens cinzentas
entre o asfalto de concreto

Nao sei se devo
deixar de te dizer

So sei que quero
e que o desejo nao basta

Mesmo que o vento nao fraqueje
o edificio de frente
ele empurra as nuvens
para dentro de mim

ate que meu quarto se inunde de vida
como se fosse um grande bosque

quarta-feira, agosto 23, 2006

Anjos do Sol

Anjos do Sol

De Rudi Lagemann

0

 

Anjos do Sol é um filme de estreante, uma produção contemplada num edital de baixo orçamento (BO) do MINC, que (supostamente) fala sobre as mazelas brasileiras, com um tema (supostamente) polêmico: a prostituição infantil. Pretende dessa forma ser um filme-denúncia a uma realidade do norte-nordeste do Brasil, onde meninas são vendidas pelos pais para se prostituírem, vivendo em condições de semi-escravidão.

 

Mas qual é a forma que Anjos do Sol encontra para fazer isso? Pela descrição, pensamos a princípio em um pesado melodrama que torna as meninas vítimas de um contexto social de miséria e de exploração da miséria.

 

Não deixa de ser isso, mas é um pouco pior. A forma é a da caricatura. A forma é a do medo e da estrutura narrativa mais convencional.

 

A primeira parte do filme mostra como as meninas chegam lá. Depois, como lá é ruim. Em seguida, como tentam fugir e não conseguem. Quem tenta fugir e não consegue, morre. Antonio Calloni, o dono do bordel, é um cara mau. Ele é uma espécie de lobo mau em torno de várias chapeuzinhos vermelhos. Não é a toa que há uma perseguição na floresta quando Calloni vai atrás das meninas. O filme quer que pensemos que ele no fundo gosta que elas fujam, só para poder capturá-las e mostrar o seu poder. O filme acentua as cenas de perseguição porque seu objetivo é passar o medo, a desgraça.

 

O diretor de cinema (ainda mais num cinema mais tradicional) é definido pelo TOM que escolhe dar a um roteiro, a uma história. O tom de Anjos do Sol é o da caricatura. De uma certa ironia mórbida. Isso pode ser visto nos personagens do Calloni e do Chico Diaz (ambos péssimos).

 

Em termos de cinema, da linguagem do cinema, a coisa piora. A edição, o enquadramento, as atuações, a mise-en-scene, os deslocamentos dentro do quadro, os diálogos, a direção de arte, o uso do som, são todos primários e às vezes constrangedores.

 

Na parte final, há uma mudança de interesse. A menina consegue fugir. Vai pra cidade grande, mas descobre que lá tudo é igual a antes. Só lhe resta ser prostituta da mesma forma, e ela foge? Para onde? Pede uma carona prum caminhoneiro, que lhe pergunta o que ela pode lhe dar em troca.

 

Pode até ser interessante, mas pensamos por exemplo num Aopção, o filme do Ozualdo Candeias que mostram mulheres nos canaviais que viram “rosas da estrada” para poderem chegar na cidade grande. No filme do Candeias, não há espaço para a caricatura, não há espaço para os falsos dilemas morais, não há espaço para as perseguições do vilão ao herói. Há sim um profundo sentimento da descrição física desse estado de inércia em termos de um percurso, há também um profundo desejo de mudar dessas mulheres e um olhar profundo e complexo sobre a possibilidade dessa mudança.

 

Em Anjos do Sol não. O diretor ficou nove anos pesquisando para fazer o filme. Parece pesquisa de um grupo de alunos da quinta série ginasial. Tudo o que está no filme nós já sabemos. Quem vê o Fantástico (e até quem não vê como é o meu caso), já sabe disso, que há centenas de meninas prostituídas no norte-nordeste, que os pais a vendem para exploradores que só dão pão e água para elas, e que elas querem fugir mas não conseguem, e que várias são mortas por maus tratos ou mesmo por doenças.

 

Até aí nada demais. Mas como o cinema pode tratar esse fato, seja de uma forma digna, seja de uma forma menos esquemática?

 

A última pergunta que nos resta é porque Anjos do Sol conseguiu ser lançado com quase 50 cópias com apoio (inclusive de cross media, apesar de modesto) da Globo Filmes? Por que será? A minha avaliação é muito parecida com a do Pedro Butcher, em sua entrevista para o pessoal do contra.

 

(terceiro poema sobre as varandas; meu teclado esta sem acentos)

A brisa

Na varanda
apoio os cotovelos sobre o umbral
junto os ombros
e acomodo o queixo
na palma das maos

Inspiro
e espero
a brisa passar
e levar os meus sonhos

Espero
e expiro

A brisa nao chega
mas traz a chuva
e corro da varanda
e fecho as janelas
para dentro de mim

ate que o vendaval
de lugar ao arco-iris

segunda-feira, agosto 21, 2006

KES

Recordando
KES, de Ken Loach
.
Hoje eu gostaria de falar, ainda que rapidamente, de um filme que me marcou bastante, chamado KES.
Este filme foi filmado em 1968, numa epoca em que o mundo sofria uma grande revolucao de costumes e de efervescencia de ideias.
Os estudantes iam as ruas, havia uma tal revolucao sexual, o cinema buscava novas formas de narrar e de existir.
Em meio a tudo isso, visto de hoje, esse filme parece um peixe fora dagua.
E um filme simples, contado a moda tradicional, quase a maneira neorealista, sobre um adolescente que vive numa cidadezinha inglesa,
e que tenta escapar do trabalho nas minas, como parece ser o seu destino e de toda a sua familia.
Seu diretor, Ken Loach, neste que e seu primeiro filme, parecia antever que a "revolucao de costumes" da epoca era uma revolucao da classe media,
e que na verdade pouca coisa iria mudar para os menos favorecidos.
Loach tambem parecia estar alheio a essas questoes modernas de seu tempo, como o proprio cinema ingles da epoca fazia questao de se engajar,
para mostrar que os problemas do menino de Kes sao os problemas de entao, de ontem, e de sempre, pois sao os problemas do ser humano:
a sua miseria e sua dificuldade de viver em liberdade.
.
Kes em ingles lembra primeiramente de Kiss, e "kiss" e uma palavra que resume bastante essa epoca que o filme foi feito mas que curiosamente
esta ausente do filme. Porque Kes e um filme afetuoso sobre a falta de afeto.
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Kes e um tipico filme de "sessao da tarde".
Um dos principais motes do filme e a amizade do menino por um passaro, ao qual ele quer domesticar.
Nao consegue, pois o sistema acaba o matando antes. Digo, o passaro.
Acaba o matando por nenhuma razao em especial.
.
Kes tem um dos finais mais bonitos e economicos da historia do cinema, mas aqui eu me isento de comentar.
Loach vivia num momento em que as palavras de ordem eram "liberdade", "esperanca" e "mudanca".
O final de Kes vai mostrar que tudo isso e uma bobagem.
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O menino de Kes queria poder ser diferente dos seus irmaos, da sua familia. Queria poder ser alguem.
Nao e que ele nao tenha o reconhecimento da sua mediocridade, ao contrario, o que o filme mostra e como o sistema perpetua a impotencia de tentar ser alguem.
E no reconhecimento desse fracasso que se revela a contundencia do filme.
.
Kes foi lancado quase a mesma epoca de Cronica de Anna Magdalena Bach. Na epoca, Godard disse que Straub era alienado
pois no meio de uma guerra contra o Vietna, Straub fazia um filme passado na Idade Media.
Straub respondeu que seu filme era exatamente sua resposta pessoal a tudo aquilo.
Penso o mesmo de Kes.
Embora Kes nao seja um simbolo do cinema de invencao, desse desejo transgressor, da busca por uma renovacao de linguagem, KES para mim
e uma das grandes experiencias do cinema, porque nos permite ir alem do seu tempo, estando aquem do seu tempo.
.
Em alguns momentos Kes parece piegas, mas em geral Loach consegue a distancia exata entre o abraco afetuoso e a distancia critica de seu protagonista.
Coisa alias que ele nunca mais conseguiu em seus outros filmes, muito inferiores a este.
Essa distancia exata e conseguida por meio de um trabalho discreto mas minucioso de camera, montagem, luz, som e com o trabalho do ator.
.
A luz de Kes e maravilhosa, porque o filme todo e cinza e sem cor.
A sequencia de abertura, que mostra os dois irmaos na cama, ja anuncia todo o filme, em termos de enquadramento, trabalho de corpo dos atores e da iluminacao.
O uso do som em Kes e fantastico.
.
Mas na verdade amigos devo confessar: o fato maior que me fez gostar tanto desse simples filme nao e nada disso que falei acima, e sim pelo fato de que ele me fez lembrar a minha infancia, de que ele me fez resgatar alguns dos motivos pelos quais eu passei a me interessar pelo cinema, de que ele me confortou pelo fato de eu ser humano e tao fragil.
.
Na verdade e por isso que gosto tanto desse filme chamado KES.

sábado, agosto 19, 2006

a coisa mais triste do mundo essa semana foi acompanhar a repercussao critica do SERRAS DA DESORDEM, o excelente filme do Tonacci na imprensa tupiniquim neste Festival de Gramado. Uma incompreensao geral do que se trata o filme, do que esta em jogo, ou seja, uma avaliacao burra mesmo. Um dizendo em tom negativo que "nao tem a veia subversiva do autor de Bang Bang", esquecendo-se de que entre os dois filmes ha um espacozinho de 35 anos que devem dizer alguma coisa; outra dizendo que "o filme trata de forma correta o tema politicamente correto dos indios", revelando sua total incapacidade de ter alguma nocao sobre o que e o filme. Simplesmente inacreditavel. Para a gente que acompanhou - um pouco e de longe - um pouco do filme, e triste ver como um grande filme como este acaba nao tendo a repercussao que merece, ou - o que e muito pior - e como as pessoas (ou melhor, profissionais da imprensa) sao tao negligentes ou descuidados com um trabalho de mais de 30 anos que desembocou neste filme. Enfim, tristeza...

E por outro lado a melhor noticia da semana foi saber que o filme acabou de ganhar MELHOR FILME, DIRECAO E FOTOGRAFIA no Festival de Gramado... o que deve ajudar em muito a distribuicao do filme as possibilidade no edital da Petrobras.... AVANTE TONACCI !!!!

(segundo poema sobre as varandas; meu teclado esta sem acentos...)

O vaso

Na varanda
existe um vaso
ao lado do corredor

O vaso ali existe
imovel
inamovivel

O vento da sacada
toca as folhas das plantas
e seca a terra umida

O vaso nao conhece a casa
nem a portaria
ele existe ali
ali apenas
ao lado do corredor

Quando chove
a terra umedece
Quando faz sol
o caule se curva para a luz

Na varanda
ha outros vasos
que nao se observam
eles apenas existem ali
logo ali
ao lado do corredor

(primeiro poema sobre as varandas; meu teclado esta sem acentos...)

A varanda

Moro numa casa feia
com uma varanda bonita
Quando a vida me cansa
corro para a sacada
e olho o ceu

Minha casa tem paredes azuis
e o teto pintado de cinza

Mesmo que o ceu esteja nublado
o vento acaricia as plantas
e seca as lagrimas do meu rosto

Minha varanda nao tem vista para o mar
apenas para as janelas
do edificio de frente

mas sempre vejo o ceu
e mesmo que esteja cinzento
sinto o vento no meu rosto
e penso
num breve segundo
que a vida pode ser diferente

acabei de ver um filme do mineiro Dellani Lima chamado O CEU ESTA AZUL COM NUVENS VERMELHAS.
E um filme feito no mesmo espirito dos meus filmes e dos irmaos pretti, seja em termos de producao seja em termos de uma atitude em relacao ao que seria o cinema, entao me diz muito.
No filme, Dellani se pergunta sobre qual seria a cor do amor, azul ou vermelha, mesclando entrevistas com pessoas comuns de BH com cenas encenadas de um casal, uma familia, em situacoes simples dentro de uma casa.
Achei curioso, porque acabei de fazer um video (bem mais modesto) tambem sobre o tema do amor.
Neste meu video, para mim, o amor nao seria nem azul nem vermelho,
ele seria algo entre o preto e branco, com alguns tons de cinza.
No filme do Dellani, o que mais me atrai sao os silencios, a observacao de uma intimidade,
os pequenos gestos, os vasos na varanda, as janelas dos edificios de frente
e como os pequenos blocos sao organizados de forma livre, nao esquematica.
Mas talvez isso fale mais de mim mesmo do que do filme...

Uma coisa tbem no filme que me fez despertar foi como ele usa as sacadas, as varandas.
As varandas sao um espaco imenso reativo aos interiores,
porque sao um espaco intermediario, um ponto de contato possivel,
entre a casa e a vida, entre o interior e o exterior.
Na varanda, se esta em casa mas se pode ver o ceu e se pode sentir o vento, ainda se estando em casa.
A varanda e o lugar do sonho possivel.

Em homenagem a isso, vou tentar compor uma serie de poemas sobre as varandas.
Comeco com dois.

terça-feira, agosto 15, 2006

texto Daia

Divagações sobre o Amor

(Sobre Um Filme Abstrato – Parte III- Amor: de Marcelo Ikeda)

Por Daia Flórios

 

Assisti a mais um filme doidinho de Marcelo Ikeda: Um Filme Abstrato – Parte III - Amor. Segundo o autor, este filme tem várias referências a outros filmes seus. Começo então citando uma cena, que me parece ter dado início a estas minhas divagações do amor, e que remete ao Abismo, um dos filmes do Ikeda que gosto muito.

 

No Amor, um homem frente ao espelho do banheiro diz: “eu te amo” sem o entusiasmo dos que amam e tampouco a falsidade dos que finge que amam. É um “eu te amo” que não convence e que é triste porque é incerto e não sabido.

 

O som das palavras “eu te amo” percorre pela casa vazia e melancólica. Nostálgica, talvez, com luzes aconchegantes nos ambientes: sala, quarto e cozinha. No banheiro ficou a imagem do homem se olhando no espelho ecoando o “eu te amo” pelo vazio deixado pela ausência de quem se ama, preenchendo todo o espaço, impregnando o ar de solidão, falta e saudade. A saudade é um sentimento, de certa forma, positivo. Não há saudade do que fora ruim e da saudade vêm sentimentos agradáveis e este mesmo espaço impregnado da ausência pode ser repleto de um amor a este mesmo espaço vazio, apto a proporcionar o amor a si próprio, desfrutado na solidão da própria companhia. E o som, do “eu te amo” percorrendo estes mesmos espaços te deixam dúvidas a respeito do amor.

 

É mesmo necessário amar? O quê? E por quê? Para amar é necessário companhia? Pode-se amar de longe, mas a presença de alguém é imprescindível para o amor? Para amar você precisa que alguém também te ame? É necessária a troca de carícias e coisas e tal? Se for, para serem amadas, as pessoas precisam ter boa aparência para conseguirem conquistar, isso seria, talvez, uma armadilha capitalista para que as pessoas consumam mais em busca do amor? É mesmo necessário que se ame, que exista alguém a preencher, fisicamente, os espaços vazios da sua casa? da sua vida? Enquanto isso for uma necessidade as palavras “eu te amo” não soarão tão automáticas quanto duvidosas?

 

Cenas de solidão acompanhadas de música clássica aparecem e ao final, um carro percorre uma estrada vazia. Provavelmente alguém sozinho o dirige na solidão da vida que segue independente dos amores e desamores, porque na morte, assim como na vida, também estaremos sozinhos.

 

segunda-feira, agosto 07, 2006

 

Pessoal,

Para quem quiser ver o É Hoje, ele já está disponível no site Youtube. O link vai abaixo. Obrigado Rachel e Maurício Castro, que tornaram isso possível

 

http://www.youtube.com/watch?v=UCKzlhFSpu8

 

 

mais dois vídeos caseiros

mais dois vídeos caseiros

 

Na sexta, estreou no Ateliê mais um vídeo caseiro para minha coleção. É HOJE é (quase) todo feito com fotos estáticas do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, mas com um outro olhar: o mesmo cinema materialista, a busca pelos espaços vazios, a solidão, a melancolia. Ao fundo, canto uma música, quase como em Alvorecer. Na verdade, este trabalho surgiu a partir de uma sugestão do mineiro Dellani Lima para eu prosseguir com a linha do Alvorecer. E assim o fiz, combinado com o desejo antigo de usar essas fotografias do desfile. Acaba sendo um olhar íntimo sobre o desfile que fala sobre “a quarta-feira de cinzas”, porque para mim a própria essência do Carnaval é a quarta-feira de cinzas, o pierrot abandonado, e por aí vai. Um pequeno avanço: o trabalho com as fotografias, aumentando o contraste, deixando os tons mais fortes nas cores quentes, e tirando a saturação dos tons mais frios, intensificando os conflitos do desfile. E na montagem, tornando o filme mais enxuto, mais coeso e mais preciso.

 

No domingo, passei para alguns poucos amigos um outro vídeo feito especialmente para a ocasião. Preferi intitulá-lo de UM FILME ABSTRATO – PARTE III (EU TE AMO). Um filmete (enfim, mais um exercício) sobre o amor, ou ainda sobre a impossibilidade de amar, tal qual nos diz Dreyer em sua obra-prima Gertrud (um filme que a cada dia que passa tem ficado cada vez mais na minha cabeça). Essa “parte III” surgiu de uma necessidade de colocar minhas angústias diante do meu momento de hoje, e o filme o faz com um tom muito cerimonioso e bastante pesado (eu diria que é o filme “mais barra pesada” da minha coleção, o que não é pouco). Veio tbem, de uma provocação do Rosemberg sobre a necessidade de os meus vídeos terem música, e esse foi o principal avanço formal deste trabalho. Ele na verdade é uma combinação (compilação) de uma série de artifícios usados em outros trabalhos mas com uma reavaliação (o “som, câmera, ação” de Cinediário, o espelho do banheiro de Abismo, os planos estáticos da casa de sempre, a estrada que vai para o branco do Em Casa, as telas de cor do filme abstrato parte II, etc.) Formalmente, o filme é todo feito com planos bastante longos, telas negras, e um desejo de uma homenagem ao cinema do Straub e as referências (centrais) ao cinema dos Irmãos Pretti, em especial ao Amador. “Eu te amo” e “Eu preciso te amar”: o cinema como espelho, a tela negra como ética da filmagem, a busca (impossível) pelo amor num mundo estático e parece responder muito timidamente a esse apelo (i.e não é que não responda). E um final muito austero, um tanto duro, um “doloroso olhar-se de frente” típico dos finais dos meus vídeos, mas também um mergulho (doloroso e abstrato) de luz e de sombra, como se fosse um quadro da fase final de Rothko.

 

Dois trabalhos “de sempre” mas que me deixam satisfeito por mostrar um “caminhar com coerência”. Agora, tem o filme de Floripa, e vamos ver se eu consigo fazer os “filmes com atores”.

 

Atualização da minha “filmografia”

(desculpem a punhetação mas é para eu não esquecer... já cheguei aos 20 filmes, contando com os “renegados”...)

 

Depois da Noite (1999, VHS, 18´)

Casulo (2000, VHS, 8´)

Entremeio (2002, Digi8, 12´)

Alvorecer (2002, MiniDV, 8´)

Spencer, Ontem, Hoje e Sempre (2003, MiniDV, 10´)

Tesouro do Samba (2004, Digi8/MiniDV, 40´/20´)

Canção de Amor (2004, MiniDV, 10´)

Cinediário (2004, MiniDV, 22´)

Auto-Retrato do Artista Durante a Gestação (2005, MiniDV, 15´)

O POSTO (2005, 16mm, 15´)

EM CASA (2005, MiniDV, 78´)

Natal (2005, MiniDV, 15´)

Um Filme Abstrato – parte I (2005, MiniDV, 10´)

Um Filme Abstrato – parte II (2005, MiniDV, 6´)

Abismo (2005, MiniDV, 21´)

Natal (2005, MiniDV, 15´)

DESERTUM (MiniDV, 81´, 2006)

É Hoje (MiniDV, 4´, 2006)

Um Filme Abstrato – parte III (2006, MiniDV, 9´)

 

sexta-feira, agosto 04, 2006

De punho cerrado

 

Vivo

De punho cerrado

Não dou tapa

Dou um murro

 

Amo

De punho cerrado

Não dou a face

Eu a uso

Como escudo

 

Meu punho fere

Qual punhal

Lança ocre

Mortal

 

Nesse castelo de mim mesmo

Ninguém entra

Que não seja convidado

 

E por entre as frestas deste punho

Não há luz

Nem poesia

 

Como um machado

De ourives nobre

E matéria podre

quarta-feira, agosto 02, 2006

NAM JUNE PAIK

Nam June Paik

 

A Mostra Nam June Paik no Centro Cultural Telemar foi um dos maiores acontecimentos cinéfilos do ano, a ponto de virar matéria dos caderninhos culturais cariocas (oh!), e despertar a atenção para os eventos “multimídia” do CCT. A “videoarte” (eta termo ruim!) cada vez mais vira moda, então as matérias abordaram NJP como “o pai da videoarte”, onde tudo começou, a árvore em torno do qual todos os frutos buscaram inspiração (ooh!). A mostra foi dividida em fases, por anos, formando um tripé. Eu adoro isso de não ter sessão fixa: as pessoas entram e saem, sem muita rigidez (esse esquema tradicional de ver o cinema está cada vez mais chato). É claro que às vezes gera problemas (tipo o som de uma sala invade a outra, uma criança te taca um travesseiro, etc), mas cinema é isso mesmo, ou pelo menos esses filmes do NJP podem ser assistidos assim sem grande perda.

 

Fiquei animado porque é um tipo de evento que nos passa uma sensação de liberdade: acompanhar cerca de quatro décadas de um trabalho consistente sobre o audiovisual. E para mim é interessante porque NJP trabalha elementos entre uma arte ocidental e oriental.

 

Os primeiros filmes dos anos sessenta (os filmes de “iniciação” ou de “descoberta”) foram os que mais me atraíram. Apesar de a técnica utilizada (os efeitos de cor e de distorção da imagem) hoje parecem completamente caricatos e ultrapassados, é visível um trabalho coerente e articulado com os elementos de linguagem. Desde os primeiros trabalhos simples sobre a expressão (Hand and face, 1961 e Button happening, 1965), passando pelos trabalhos com a imagem, seja pela cor, seja pela forma, seja pelo enquadramento. NJP utiliza também ruídos e distorções de cores como efeitos expressivos. O ruído aqui passa a ser som. A TV – e a “interferência” da imagem da câmera com a TV – gera uma imagem outra, um ganho, uma nova forma de ver. E NJP nesse período faz vários exercícios pensando a textura dessa nova imagem. Dessa fase, o trabalho que mais me impressionou foi o Cinema metaphysique, porque se parece bastante com a idéia dos meus filmes abstratos. Há um quadro dentro do quadro, o que provoca um desequilíbrio nítido. Há um retângulo na parte superior do quadro, ou na parte lateral esquerda, ou na parte inferior, e dentro desse retângulo, parte do corpo humano: uma mão, olhos, etc. Todo o resto (fora do retângulo) é a tela negra. (Ou seja, a partir disso NJP “reinventa” o enquadramento, ou a própria tela de exibição). O cinema, o corpo, a expressão, a fabricação da linguagem, o quadro, a metafísica, o humano estão todos lá.

 

Nos anos 70, o trabalho de NJP com a linguagem da TV e suas manipulações ganhou um contorno mais político. As imagens não são entendidas meramente como imagens, mas como formadoras de um código próprio que age sobre o espectador, ou seja, um “discurso”. Ao mesmo tempo, há um fascínio por esses códigos, e ao mesmo tempo há uma crítica, porque essas imagens têm um certo frescor de linguagem. Essa ambigüidade faz com que esses filmetes de NJP nunca caiam no panfleto meio pós-estruturalista sobre a TV, mas não deixam de se inserir nesse debate. Nisso, o deboche, a ironia passam a estar presentes. A TV passa a ser associada como elemento de arte, meio na linha do processo de um Warhol (TV Cello, TV Bed, etc). De outro lado, trechos de comerciais mostram uma frivolidade dos ensaios publicitários mas são mesclados com movimentos do corpo e com efeitos de cores e formas (o exemplo típico é o Global Groove, talvez o trabalho que melhor sintetiza o universo de NJP). Desses o que mais gostei foi o Eletronic Yoga, exatamente porque tenta combinar essa fascinação e repulsa de modo ambíguo com uma combinação dos lados oriental e ocidental. Yoga e TV. Ao mesmo tempo que Yoga e Beatles com a TV tornam-se produtos de uma cultura de massa, tornam-se mostram coisas outras que não necessariamente isso.

 

Os filmetes dos últimos vinte anos mostram uma espécie de síntese desse trabalho anterior: mostram de um lado a rebeldia do artista contestador e seu trabalho de linguagem com a TV, com os elementos de linguagem (a montagem, o som, a cor, as formas, como o típico cinema de NJP). E tbem ao meu ver uma espécie de trabalho sobre a memória, já que vários desses trabalhos últimos passam mesmo a idéia de uma compilação, com trechos dos filmes antigos sendo repostos, reavaliados, reincorporados, reinterpretados, ou seja, virando outra coisa, dentro desses filmes outros. A montagem e a presença da música evidenciam como NJP não parou no tempo mas atualizou sua técnica no contexto das novas tecnologias. Ainda, esses vídeos mostram live performances do artista, destruindo pianos, queimando coisas, desenhando objetos esquisitos, questionando os limites da arte e do comportamento do artista. Às vezes meio naive, às vezes meio arrogante, às vezes meio repetitivo, mas é NJP (Ou seja, gostei mais dos filmes do que das performances hehehe).

 

 

Filmetes vistos:

 

Hand and face, 1961

Button happening, 1965

Early color TV manipulations, 1965-1971

Video tape study #3, 1967-69

Cinema metaphysique #2,3,4, 1967-72

 

Video commune (beatles from beginning to end), 1970-92

TV cello premiere, 1971

TV bed, The Everson museum of art, 1972

Eletronic opera #1 (from the medium is the medium), 1972

Waiting for the commercials, 1972

Eletronic yoga, 1972-92

Eletronic opera #2

Global groove, 1973

 

My mix ´81, 1981

Vusac NY, 1984

Tiger lives, 1999