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Cinecasulofilia

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quarta-feira, abril 18, 2007

Cartas de Iwo Jima

Cartas de Iwo Jima

De Clint Eastwood

Paissandu qui antes do feriado 18:20

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Cartas de Iwo Jima, o tão elogiado filme de Clint Eastwood, me decepcionou um pouco. Se por um lado é um belo libelo pacifista sobre a imbecilidade das guerras (que entre numa linhagem de Glória Feita de Sangue e congêneres), por outro é o eterno cinemão americano que tanto o diretor preza e que me cansa um pouco. O filme tem recursos (de narrativa, de motivação de personagens, do uso dos chavões morais, das cenas de guerra como parte do cinema-espetáculo) já conhecidos, gastos e desgastados. Coisas que já vimos outras 500 mil vezes. O eterno cinema clássico americano. Algumas coisas me interessaram. Tento falar delas amanhã.

Descaminhos

Descaminhos

de diversos diretores

É Tudo Verdade, Odeon, um dia desses

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Esse projeto coletivo de um grupo do cinema mineiro não foi muito bem recebido no É Tudo Verdade. As acusações (o termo é meio esse mesmo) foram de um exacerbado formalismo e de unidade entre os episódios, ainda sendo de diretores diferentes. Descaminhos é um filme de episódios, que busca uma trilha poética entre as estações de trem, suas impressões sensoriais, seus rastros por um interior do Brasil.

 

Ao mesmo tempo em que concordo plenamente com as ponderações sobre o projeto, por outro lado Descaminhos faz parte de uma visão contemporânea do documentário e é um projeto que só poderia ter nascido em BH. É típico do cinema que está sendo feito na cidade, nessa sua articulação livre entre imagens e sons de uma forma particularmente poética, seu olhar de um cinema de linguagem calcado nas sensações e nas formas, um diálogo com as artes plásticas e a videoarte, um viés de um documentário muito pouco didático e mais de invenção, e um percurso particular pelo interior de um Brasil sem um ranço psicológico ou sociológico.

 

Se por um lado podemos entender que Descaminhos oferece uma espécie de diluição dos rumos de uma escola mineira, e que pouco acrescenta ao que já vimos nas melhores produções locais, por outro, a estética do filme anuncia uma continuidade e comprova a relevância da cidade em termos do documentário brasileiro contemporâneo. Daí minha defesa ao filme.

 

Alguns episódios nos dizem mais; outros menos. O primeiro deles, da Marília Rocha, uma das diretoras do Aboio, merece atenção particular, por reconceituar alguns dos pressupostos de unidade dessa escola. Marília trabalha de uma forma bem diferente dos outros filmes, a idéia do registro e da fabulação, a importância da voz off, o plano-sequência e a duração, o caminho do tempo, a idéia do percurso, o que o torna uma certa ilha dentro do longa, cheio de imagens fragmentadas e descontínuas.

 

Algumas idéias um pouco ingênuas, mas de qualquer forma, quem vê Descaminhos sabe que se trata de um filme mineiro, ou seja, que está vendo o melhor cinema que se faz hoje no Brasil. Um cinema de linguagem inventivo, rico e sedutor.

terça-feira, abril 17, 2007

o melhor filme do mundo

Eu queria hoje dizer uma coisa e não tenho o medo de correr o risco de ser leviano.

Hoje, agora, eu acho que o melhor filme do mundo se chama WALDEN.

Acho que se o cinema ainda pode ser alguma coisa, ele é isso.

Mekas hoje faz o papel na minha vida que já fez o Kieslowski.