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Cinecasulofilia

0 - fuja! * - razoável ** - bom *** - muito bom, recomendado **** - obra-prima!

domingo, outubro 21, 2007

It

It
De Clarence Badger
DVD sab 21 17hs
*** ½


Um enorme achado esta incrível screwball comedy silenciosa da Paramount realizada pelo pouquíssimo conhecido diretor Clarence Badger. Uma verdadeira jóia: conteúdo crítico, filme subversivo, ritmo frenético, grandes interpretações. “It” seria “um certo jeitinho”, seja por dotes físicos ou intelectuais, que uma pessoa tem naturalmente que acaba conquistando parceiros no amor. Com base nisso, o filme fala do romance aparentemente impossível entre o dono de uma loja de departamentos (Antonio Moreno) e uma vendedora (Clara Bow), mas o filme é altamente transgressor, com um conteúdo explosivo sobre o conservadorismo da “high-society” americana, e, claro, isso só é possível com uma comédia rasgada. Clara Bow implode todos os puritanismos, porque, se uma pessoa tem o tal “it”, essa pessoa é Clara Bow. Uma brilhante performance, que coloca uma lascívia, um clima de sexualidade iminente que percorre todo o filme. Clara Bow, num filme mudo de 1926, já compreendeu com todos os detalhes o que é uma atuação de cinema: ela fala com os olhos (sempre) e com o corpo apenas nas cenas de movimentação, e atua para fora, para jogar a narrativa para frente. A personagem de Bow é típica das “screwball comedies”: uma mulher valente, independente, e disposta a subir na vida utilizando-se de sua esperteza e do seu sexo. Por isso, ela quer fisgar simplesmente o dono da loja, e vai conseguir, porque “she´s got it”. Várias e várias cenas memoráveis: é um dos filmes mais divertidos que eu vi ultimamente, porque o roteiro tem um conjunto de achados incríveis, ingênuos mas sempre muito subversivos. Bow vai ao Ritz (o restaurante mais sofisticado da cidade) com um “vestidinho básico” feito de uma das cortinas de casa, e por aí vai. Depois diz que o filho de sua companheira de apartamento é seu, só para livrá-la da perda da criança (pois ela está desempregada), e com isso se mete em mil confusões. O clima de quiproquós e confusões típicas do gênero caminha numa espiral crescente e é formidável a habilidade do diretor Badger (embora se diga que Sternberg foi chamado para refilmar algumas sequências) em criar um ritmo alucinante para o filme, e a elegância de composição da mise en scène num filme que teria tudo para cair no vulgar. Esse é o maior mérito do filme: uma combinação de ingenuidade e malícia, de sofisticação e vulgaridade, que tem reflexos na composição do quadro e na montagem. O rico herdeiro da loja não quer a mulher “meiga e chata” com quem todos querem que se case. Ele evidentemente quer Clara Bow, porque, uau, “she´s got it”, não importa a que classe social ela pertença, seus trajes, suas maneiras, nem mesmo se ela já teve um filho! Então, mulheres, saiam da toca, porque a vida é curta e tem poucos homens disponíveis por aí!! Um grande filme.

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