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Cinecasulofilia

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sábado, abril 05, 2008

voltar

Quando estou de volta de uma viagem para longe, parece que estou dentro de um de meus filmes de viagem, e sinto de forma muito exata o que quis passar em todos os meus finais, o de EM CASA, o de DESERTUM, e o de EXODO. É essa terrível sensação de estar de volta a esse hospício chamado dia-a-dia e a terrível intimidade carinhosa que se tem de respirá-lo, como se nada mais tivéssemos a fazer. Fora dele, somos sempre estrangeiros, ainda que lá fora seja um paraíso. Voltar, e voltar mais uma vez – é como se estivéssemos sempre voltando. É desse sentimento dúbio e potencialmente complexo que surge a dramaturgia dos meus diários de viagem; é esse sentir “do que é feita a volta”. Um dia escrevi em meu diário “a viagem de volta é sempre mais introspectiva que a de ida”. É exatamente isso. Toda a viagem de ida é na verdade um movimento do ato de voltar. É por isso que este dispositivo ( A – B – A’) é tão crucial para mim, e pretendo repeti-lo mais e mais e mais vezes.

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