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Cinecasulofilia

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domingo, março 01, 2009

El nido vacio

Ninho Vazio
Daniel Burman
*

O argentino Daniel Burman em Ninho Vazio dá continuidade à sua filmografia (O Abraço Partido, Direito de Família) centrada nas relações familiares. Neste filme mostra o drama de um casal que entra em crise quando seus filhos saem de casa para ter as suas próprias vidas. Na verdade o filme examina o fato do ponto de vista do pai da família, um renomado escritor. O título do filme se remete ao livro que seu genro escreve e é um grande sucesso (o que corrobora um fato simbólico de o pai ser substituído pelo marido), mas no fundo se refere à tal “síndrome do ninho vazio” que é como os psicólogos tratam o período de crise do casal quando se vêem novamente sozinhos em casa após os filhos terem crscido e se sentirem sozinhos, sem conseguir manter sua relação saudável. Sem os filhos em casa, os pais sentem que suas vidas são no fundo um grande vazio e se sentem sem perspectivas para caminhar.

Esse tema – o olhar para as relações familiares e a síndrome do ninho vazio como bastão de passagem de uma geração à outra – inevitavelmente nos lembra do grande mestre Yasujiro Ozu. Mas acontece que Burman não é nem oriental nem mesmo é inventivo como seus conterrâneos Lucrecia Martel e Pablo Trapero (com eles, Burman integra uma tal “tríade” de um “novo cinema argentino”): Ninho Vazio é no fundo um filme de roteirista, com muito diálogo e trilha sonora, cheio de soluções triviais. Enquanto Ozu consegue retratar com maestria a complexidade desses movimentos e ainda traçar um painel do próprio Japão, ou seja, de um mundo por trás da angústia de seus personagens, Burman está mais preocupado em promover pequenos jogos de realismo mágico e de espelhamento narrativos, em geral frustrados, (um dos temas de seu filme é a dubiedade entre desejo e fantasia, espelhado através do próprio processo de criação – muitas vezes não sabemos até que ponto o que acontece é real, é a projeção das fantasias do autor ou é parte de seu processo de criação -- todo o filme pode ser visto como apenas mais um livro a ser escrito pelo pai), levemente inspirados em Fellini (o surrealismo da cena da banda no elevador), ou mesmo em Truffaut (os desejos amorosos superficiais, como a platônica paixão pela sua jovem dentista, em torno do qual Burman gasta pelo menos preciosos quarenta minutos de seu filme de cerca de hora e meia). Por isso, Ninho Vazio se arrasta sem grandes inspirações, seja uma ou outra imagem, como o do casal deixando-se flutuar nas águas salinas do Mar Morto (uma síntese de vários objetivos do filme: o “deixar-se levar”, a “morte” do casal, o judaismo típico de Burman, a ambiguidade com o surrealismo e a autobiografia). No final, pouco contribui para a própria filmografia de Burman e especialmente para os temas da relação familiar, vide o cinema de Ozu.

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