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segunda-feira, abril 20, 2009

Gran Torino

Gran Torino
De Clint Eastwood
São Luiz 2 seg 30 mar 21:40
**

Após o elaborado e ambicioso A Troca, Gran Torino é uma espécie de movimento de folga de Clint Eastwood, mas nem por isso quero dizer com isso que se trata de um filme menor. Ao contrário, pois o que impressiona a princípio no filme é exatamente o fato de ser proposto como uma espécie de revisão de toda uma trajetória de vida e de cinema. Quem diria! O grande grosseirão, o pistoleiro sem lei de filmes como Django, Joseph Wales e Bronco Billy agora, na maturidade (para não dizer na velhice), assume um olhar humano. Gran Torino é uma revisitação desse olhar acabrunhado, desse afável grosseirão para a consolidação de uma das mais sólidas carreiras em Hollywood. Mas o que mais surpreende além disso é a possibilidade de Eastwood em olhar toda essa trajetória com o tom que ele emprega ao filme, a possibilidade de conferir a isso um certo humor. Esse é o aspecto que mais me encanta no filme, e que claramente trata-se de um filme pessoal, estrelado pelo próprio Clint, e como a música que encerra o filme (cantada por ele) também anuncia.

A principal lição de Gran Torino é uma denúncia ao preconceito étnico. Ou seja, há americanos bons e maus, assim como há asiáticos bons e maus, assim como há negros bons e maus. Thao, um frágil jovem oriental, torna-se o filho que Eastwood nunca teve, mais seu filho do que o seu filho de sangue, que agora vende carros japoneses (o pai trabalhou décadas na Ford). Ou seja, para preservar os bons e velhos valores morais e éticos que o personagem de Eastwood tanto lutou é preciso não necessariamente defender os americanos, mas defender os bons, isto é, quem de fato se esforça para levar adiante esses ideais da nação americana. De outro lado, Gran Torino é um filme de “aprendizado” em que, ao ensinar, esse velho carrancudo vai paradoxalmente se humanizando, vai aprendendo com a possibilidade de ver o mundo com outros olhos.

A própria figura de Clint Eastwood perambula pelo filme, como um fantasma de si mesmo, como a sombra de um passado, espécie ambivalente de um “anti-herói solitário e macambúzio”. Quer ser deixado em paz, mas o passado não permite. Quer pagar pelos seus pecados em sua própria carne, mas vai acabar convertendo isso num sacrifício pessoal em busca de um devir, de um futuro. Porque acima de tudo, sim, Clint é o grande herdeiro da velha tradição do cinema americano, da tradição do cinema de John Ford, para o bem e para o mal.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

django

1:04 AM, abril 21, 2009  

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