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quarta-feira, junho 24, 2009

A Festa da Menina Morta

A Festa da Menina Morta
de Matheus Nachtergaele
Unibanco Arteplex


Na eterna correria do dia-a-dia vou tentar escrever algo sobre A Festa da Menina Morta, ainda que bem rapidamente. Uma surpresa positiva, um filme de direção, nada trivial, ainda mais em se tratando de um diretor estreante, que mostra um talento que deve ser melhor observado. Alguns cacoetes me incomodaram, em geral relacionados com uma “estética do excesso” que preenche todo o filme, e que estão relacionados não somente ao roteiro de Hilton Lacerda (o “roteirista do Cláudio Assis”), mas à fotografia, aos movimentos de câmera, à direção de arte, e especialmente ao tom dos atores. De um lado, especialmente no início, o filme parece ser uma espécie de denúncia ao atraso de uma família, em geral ligado ao misticismo religioso, denunciando também um certo oportunismo na exploração religiosa de um povo interiorano. Mas à medida que o filme avança temos a impressão de que ainda assim o filme tem um certo fascínio por essa religiosidade latente, tipicamente brasileira. E é isso o que mais merece ser observado no filme: essa estranha mescla (diria dúvida, oscilação) entre o tom de denúncia sobre o atraso e o papel anacrônico do misticismo religioso no Norte do país e por outro lado um fascínio por esse lado místico tipicamente brasileiro. Essa dúvida – eu diria, de forma provocativa – faz com que o filme seja um dos mais autênticos herdeiros do cinema novo (o filme me lembrou em muito Os Deuses e Os Mortos, de Ruy Guerra – ver texto meu aqui), mas usando recursos típicos do chamado “cinema contemporâneo” com um certo “abuso” ou “excesso” (as câmeras na mão, os planos longos, um olhar sobre o abjeto com uma certa plasticidade, uma busca por uma aura de escândalo, etc.). Curiosamente, justamente na parte final, em que o filme aposta em mergulhar de vez no lado do fascínio, o filme cresce, e todo o seu excesso parece sintonizado com o clímax final e o discurso de Santinho, que parece emotivo e verdadeiro. De qualquer forma, A Festa da Menina Morta é um filme arriscado, trabalho de direção, um filme “que merece ter sido feito”, que acrescenta à atual produção cinematográfica brasileira. E isso não é pouco.

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