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Cinecasulofilia

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quinta-feira, junho 25, 2009

mais sobre a mulher invisível

Pedro: Amanda! Casa Comigo!
Amanda: Pedro!
Pedro: Casa de verdade, vamos ser nós dois! Em casa, para sempre!
Amanda: Mas Pedro, meu lindo.... eu não existo!
Pedro: Isso é apenas um detalhe...
Amanda: Pedro, eu sou você!
Pedro: Nunca ninguém cuidou tanto de mim!
Amanda: Quem cuidou de você foi você mesmo.
Pedro: Amanda, eu nunca fui tão feliz em toda a minha vida.


Eu devo confessar que há algumas coisas em A Mulher Invisível que me interessam em muito. É a possibilidade de a comédia romântica exprimir uma carência afetiva, expressar uma afetividade. Amanda, eu nunca fui tão feliz na minha vida. Pedro é mais feliz com o mundo ideal do que com o mundo real, que é tão cheio de imperfeições, mesquinharias e dificuldades. Prefere então o faz-de-conta, prefere ser um escritor a ser um operador de trânsito. Em casa, para sempre! A mulher invisível, o mundo invisível, o trabalho invisível....o cinema!

Isso me lembra dos nossos amigos invisíveis quando somos crianças, me lembra de um texto que escrevi por aqui. Mas qual é a função dos amigos invisíveis? De um lado, claro, escapar da solidão, ter alguma companhia. Mas de outro lado, sua função é justamente nos fazer entender que precisamos encontrar os nossos amigos “verdadeiros”, é se reconciliar com o mundo das coisas.

* * *

Selton Mello não consegue se decidir entre a mulher real (a vizinha Vitória), a mulher ideal (a Amanda, Luana Piovani) ou ainda se vai acabar sozinho (pois quase como num filme de Rohmer, perderá tanto tempo hesitando que corre o risco de ficar sem as duas, perdendo Vitória para seu “melhor amigo”). Da mesma forma, Claudio Torres não consegue se decidir entre os vários finais possíveis. A dúvida do personagem vira a dúvida da narrativa. Ou ainda, vira a dúvida do autor. O personagem de Selton Mello escreve um roteiro, que se chama A Mulher Invisível, assim como o filme. O personagem é um alter ego do roteirista, do diretor do próprio filme. O personagem não consegue decidir: claro que Amanda é a “mais gostosona” mas ele sabe que não poderá ficar para sempre com ela, que esse amor é impossível. Mas não consegue acabar o romance com ela, pois esse romance é perfeito. Da mesma forma, Claudio Torres não consegue acabar seu filme: por ele, ele continuaria “inventando reviravoltas esdrúxulas” para que o filme nunca acabe, porque no fundo ele não consegue acabar o filme, ele gostaria que esse filme durasse para sempre. Até porque, acabando o filme, quantos anos a mais ele terá que esperar para captar recursos para poder fazer um novo filme? Mas ele precisa acabar o filme, pois seu amor é impossível. O final é “falso” porque claramente o diretor não acredita nele: para ele, ficaria para sempre na banheira com a Luana Piovani.

O que nos faz concluir que A Mulher Invisível é um filme sobre a solidão.
Amanda, eu nunca fui tão feliz em toda a minha vida.

1 Comments:

Blogger vale a pena said...

Achei o seu comentário muito apropriado e bem fundamentado, embora eu tenha achado o final genial. Um filme sobre a solidão- você pegou em cheio!

2:46 PM, julho 10, 2009  

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