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Cinecasulofilia

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segunda-feira, dezembro 20, 2010

NOIA 2010

Em homenagem ao NOIA 2010, segue abaixo um comentário sobre os três curtas que ganharam os principais prêmios do festival:


Melhor Curta
Fui à guerra e não te chamei, de Leonardo Mouramateus, Roseane Morais e Luana Lacerda.

Prêmio Especial do Júri
Vuvuzelas de Madureira, de Vítor Medeiros

Melhor Direção
Princesa, de Rafaela Diógenes

Vuvuzelas de Madureira

Vuvuzelas de Madureira
de Vítor Medeiros


É difícil e dasafiador ver um curta como esse Vuvuzelas de Madureira. Para reconhecer seu valor, é preciso acima de tudo ser um bom espectador, tarefa cada vez mais difícil no mundo de hoje poluído pelas imagens audiovisuais, banais e estéreis. Ou ainda, para ver Vuvuzelas, é preciso deixar um monte de coisas para trás. Digo isso porque a princípio as pessoas podem gostar de Vuvuzelas pelos motivos errados (pelo tom simpático dos personagens, ou ainda, seu tom exótico, pitoresco, ou engraçadinho) ou ainda detestar o filme pelos mesmos motivos (outros, mas no fundo os mesmos). Em Vuvuzelas de Madureira, Vítor Medeiros acompanha os preparativos de uma família (a sua própria) para os jogos do Brasil na Copa do Mundo (a compra de bandeiras e fitas no Mercadão de Madureira, os preparativos do banquete, a reunião conjunta para ver o jogo, a comemoração dos gols, etc.). Vítor “apenas” observa, mas o trunfo de seu filme, extremamente simples, mas extremamente belo, é exatamente este: o de saber observar. Ele simplesmente sabe registrar a beleza simples que é esta família estar junta. Seu olhar afetuoso e generoso vai na contramão de um julgamento do comportamento das pessoas quando vêem os jogos do Brasil. Se elas parecem alienadas ou patéticas, é porque o espectador não sabe ver. Vuvuzelas é o Pacific de Madureira: ele descontrói o olhar que estamos acostumados, que a televisão, que o clipe, que o cinema convencional nos oferece sobre tanto a periferia quanto a possibilidade de ver o outro na tela. Vuvuzelas é precário: no entanto essa precariedade é sinal de uma potência, um autêntico filme caseiro. “Estar junto”: filme de vocação genuinamente popular, filho legítimo do cinema da periferia, diferente das “cufas” e dos “cinco vezes” da vida. No entanto, o olhar de Vítor não é meramente deslumbrado: há uma espécie de epílogo, em que Vítor sabe observar que, após o jogo, vem a novela; ou ainda, que, após o banquete, sobram os restos na mesa, e a casa, vagarosamente, vai ficando vazia, e o dia cai. Seu filme acaba num ponto após a curva, depois do silêncio das vuvuzelas. Como cigarras, seu canto dura pouco: apesar de estridente e precário, é possível dizer que “é bonito o canto”. A simplicidade, a generosidade e a afetividade do olhar de Vítor torna Vuvuzelas um dos mais singelos documentários de 2010, um retrato digno, sem espalhafato e sem espetáculo, sobre não só a vida das periferias mas essencialmente sobre o prazer de uma família estar junta.

domingo, dezembro 19, 2010

PREMIAÇÃO NOIA 2010

CARTA DO JÚRI

Para escolhermos os curtas-metragens vencedores das categorias do Festival NOIA 2010, consideramos o momento fértil de renovação pelo qual tem passado o cinema brasileiro, cristalizado na premiação de O Céu Sobre os Ombros, de Sérgio Borges, no Festival de Brasília, neste mês. Acreditamos que especialmente o cinema universitário deve carregar consigo as sementes de um cinema jovem, que respira um sentimento de renovação, que acredita na imagem e no som como instrumentos de potência, e que investem numa aposta pelo risco. Acreditamos que a premiação das principais categorias sinaliza um gesto ousado e reflexivo, que foge dos lugares-comuns das premiações em geral. O espírito da juventude universitária é ao mesmo tempo uma brisa de uma delicadeza afetuosa e um grito de inconformismo e resistência. Que assim o seja!

Fortaleza, 17 de dezembro de 2010.
Hugo Pierot, Marcelo Ikeda e Ricardo Alves Jr.


MELHOR FILME
Fui à guerra e não te chamei, de Leonardo Mouramateus, Roseane Morais e Luana Lacerda.

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Vuvuzelas de Madureira, de Vítor Medeiros

Melhor DIREÇÃO
Rafaela Diógenes, por Princesa

Melhor Atuação
Andreia Pires e Daniel Pizamiglio, por Fui à guerra e não te chamei

Melhor Fotografia
Água de Meninos, de Bianca Banedicto

Melhor Roteiro
Quatorze, de Leonardo Amaral

Melhor Edição
Fantasmas, de André Novais Oliveira

Melhor Som
Cidade Desterro, de Gláucia Soares

Prêmio BNB de Melhor Produção Cearense
Fui à guerra e não te chamei, de Leonardo Mouramateus, Roseane Morais e Luana Lacerda.

Prêmio do Júri Popular
Balanços e Milkshakes, de Erick Ricco e Fernando Mendes