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Cinecasulofilia

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terça-feira, maio 03, 2011

How do you know

Como você sabe
De James L. Brooks
**


Num mundo cada vez mais competitivo e materialista como o norte-americano, ainda há espaço para o encontro? Pelo menos para James L. Brooks, sim. Como é possível falar da filmografia desse “velho diretor de TV”? Brooks ganhou popularidade com os oscares de Laços de Ternura, mas quase trinta anos depois deu continuidade à sua filmografia de forma bastante esparsa, preferindo dedicar-se mais à produção de filmes, e claro, de séries de TV. Dirigiu apenas seis filmes, desde 1983, mas sua discreta filmografia aponta para uma coerência. Uma simplicidade estilística, uma opção pelo texto. Ou ainda, um entremeio entre a comédia e o drama. De qualquer forma, sempre seus personagens são malucos, mas nunca vistos como meramente excêntricos. Há uma forma afetuosa como Brooks retrata os limites de seus personagens, geralmente desengonçados, instáveis emocionalmente, incapazes de resolver com equilíbrio suas situações. Há sempre algo que falta nesses personagens, e eles partem em busca de algo que eles próprios não sabem bem o que é. Eles precisam ser o que são. É quando assumem essa falta que os personagens se encontram. Quem não se lembra de “Melhor é Impossível”, lindo filme de Brooks em meados dos anos noventa? Era sobre isso. O personagem de Jack Nicholson era irritante, mas quem não se comovia com ele? Três personagens marginais se juntam para uma viagem, em que, juntos, eles conseguem lidar com seus limites. Tudo é muito simples, cristalino, bem iluminado demais, mas há uma procura por um tom humano que busca olhar de forma generosa para personagens diferentes, e esse é um mérito muito grande.

How do you know (Como você sabe) não é diferente. É um filme de 2010, seis anos após seu filme anterior (Espanglês) e treze anos após Melhor é Impossível. Mas Brooks, apesar de esporadicamente exercer o ofício da direção, não perde a mão. E não perde o olhar sobre seus personagens. Aqui uma mulher fica dividida entre dois homens. Eles são diferentes, e ela não sabe o que quer. Os dois homens possuem o seu jeito desengonçado, falho e instável. Os dois precisam de ajuda, mas os dois são o que são, e os dois a amam da forma que lhes é possível. A forma como Brooks olha para os três personagens, e a forma como Brooks irá caracterizar cada passo desses personagens é cheia desse tom que reafirma a diferença, mas que ao mesmo afirma a possibilidade dessas diferenças somarem. É um olhar generoso. Por trás das convenções de sempre da comédia romântica, da decupagem cheia de planos médios de campo-contracampo, há um desejo de encontro.Ao reafirmar a possibilidade desse encontro surgir nas situações mais improváveis, com um casal improvável, Brooks se revela uma fabulador humano, atento aos detalhes de ser, respeitoso à diferença, tolerante, e acima de tudo generoso.

Aos setenta anos, Brooks, conhecido por ser um bom dialoguista e diretor de atores, opta pela contenção. Há momentos de silêncio, mas sempre integrados à narrativa. No mais belo deles, no primeiro encontro entre o casal protagonista, em que ambos estão cheios de tensão e precisam desabafar um para o outro, os dois fazem um pacto: simplesmente saborear a comida sem nada dizer um ao outro. Eles comem e a câmera simplesmente mostra os dois saboreando um prato no restaurante. Ali eles se entendem e se amam. Momento simples, mas surpreendentemente tocante, que mostra a ética particular do cinema de Brooks.

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