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Cinecasulofilia

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domingo, março 11, 2012

Fico pensando em dois textos que escrevi recentemente, sobre dois filmes bem diferentes mas que despertaram, por motivos distintos, minha admiração. São eles DRIVE (aqui) e RESTLESS (aqui). São dois textos bem diferentes sobre dois filmes bem diferentes. Ou seja, esses textos são contaminados por um espírito que ressoa desses filmes após tê-los visto, ou ainda, a essência, o tom desses filmes explode o espaço da tela, invade a vida do espectador – e do “crítico” como espectador – e ressoa claramente nas entrelinhas desse texto. Ou seja, para quem não viu o filme – ou para quem o viu – torna-se mais claro (ou melhor, vivencia-se) o que é o filme pela forma como esse texto foi escrito. O tom do texto respira junto com o tom do filme. É o contrário do texto jornalístico, de tom neutro, que “analisa” um filme com um estilo “imparcial”, “distanciado”, para “dar conta do que é o filme”. Ao contrário, esses textos são um gesto que procuram se aproximar do que é o filme, procuram respirar o que é essa energia (essa essência) que emana deles, que procura compartilhar a energia que emana dessas obras. Sobre o leve e fluido RESTLESS, um texto leve e fluido. Um texto ingênuo e adolescente. Um texto delicado e pessoal, um texto em que mais do que as palavras em si, o que importa é a sua luz. Já para o cerebral DRIVE, um texto “decupado”, mais descritivo, mais concatenado, ainda que por trás de uma suposta camada cerebral do texto, exista inevitavelmente uma pulsão, uma paixão, pois o filme fala exatamente disso, da pulsão que sobrevive por trás da “decupada” aparência das coisas. Isto para mim é a “crítica” – na falta de nome melhor para o que busco fazer: essencialmente um gesto que aponta para a alma desses filmes, e que deve contaminar a alma desses textos. Escrever textos com uma “mise-en-scène” diferente para filmes diferentes é o meio que encontro para buscar expressar o que há de mais essencial neles. Ou seja, para escrever sobre filmes que me tocam, é preciso ir além das palavras, e contaminar o leitor com um certo tom que evoca desses textos.

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