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Cinecasulofilia

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sexta-feira, agosto 31, 2012

Dizem que os cães veem coisas é o mais recifense dos últimos filmes cearenses. Tento me explicar melhor. Em Recife não se joga para perder: é nítido o grau de organização política e estética dos filmes produzidos, sabe-se extremamente bem onde se está pisando, como e quando. Já em Fortaleza, o envolvimento com o cinema é mais intuitivo: a beleza desse projeto vem de sua ingenuidade. Quando se dá conta, já se está pisando, sem saber. Daí esse amálgama entre cinema e vida, em que não se sabe onde começa e onde termina, enfim. Poderia escrever uma crítica que analisasse que Dizem que os cães é muito mais próximo de O saco azul do que de Eu, turista, ou ainda que o filme tem elementos de Lucrecia Martel ou mesmo de Buñuel, combinando uma boa dose de olhar crítico sobre uma certa classe social de Fortaleza (a carência de filmes brasileiros que olham para esse universo, como, por exemplo, - o recifense - Um lugar ao sol). Mas não vem ao caso. Prefiro tentar olhar para esse filme tendo em vista um painel mais amplo da aposta por um cinema de Fortaleza. A mim é como se não restasse outra saída a não ser ver o filme pelo que ele busca apontar, em relação a um projeto político de cinema, e o papel que o Alumbramento cumpre (ou poderia cumprir) diante disso. Ou, como poderia dizer o Denílson, que esse curta é sobre o fracasso. Pensar que Dizem que os cães começa com um plano das nuvens, assim como Estrada para Ythaca, mas que essas nuvens são outras. Com isso, claro que não quero dizer que o filme é "ruim": não se trata disso, pelo contrário, assim como eu sou grande entusiasta pelas produções de Recife, pelo talento e pela ética de um conjunto de jovens realizadores recifenses, que tanto admiro. Não se trata disso. Trata-se de outra coisa.

Ao final do curta do Guto, (spoiler....rs) uma criança morre - e a maior parte das pessoas não se dá conta. Dizem que os cães veem coisas.

3 Comments:

Anonymous Pedro Diogenes said...

Pedrinho: Gostei muito da critica. Só nao concordo que esse curta faça parte de um fracasso de um projeto. Ele é mais um curta em meio a muitos outros trabalhos. E acho ele super coerente com os outros filmes do Guto e nao vejo um "fim" nesse filme.
O Alumbramento esta em um momento de muita produção. Fora o "Caes…" tem o "odete" e outros que ainda nao passaram com "Meu amigo Mineiro" e "Nao estamos sonhando" e outros filmes ficando prontos e novos nascendo. Tem o próximo filme do guto em parceria com o Uira. E todos esses filmes sao bem diferentes entre si e com formas de produção e feituras tb muito diferentes. Determinar todos esses trabalhos analisando apenas um dos curtas me parece um pouco leviano.

7:56 PM, agosto 31, 2012  
Blogger Cinecasulófilo said...

vocês tem razão, peguei um pouco pesado. Resolvi mudar uma frase: de "que esse curta é sobre o fracasso de um projeto." mudei para "que esse curta é sobre o fracasso."

8:13 PM, agosto 31, 2012  
Anonymous Carlos Alberto Mattos said...

O foco na classe média me parece a coisa mais "recifense" desse curta

12:08 AM, setembro 01, 2012  

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