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segunda-feira, fevereiro 10, 2014

TIRADENTES 2014: Tonacci e Rosemberg


A Mostra de Tiradentes neste ano foi repleta de belos filmes, mas me parece indiscutível que o mais impressionante - e curiosamente o mais jovem - filme (jamais) visto foi JA VISTO JAMAIS VISTO, de Andrea Tonacci. Amálgama de imagens/sons filmados de forma caseira pelo realizador e de bastidores de trechos de filmes não finalizados ao longo de décadas, combina, num dos mais impressionantes trabalhos de montagem dos últimos anos, rastros de memórias, fantasias, sonhos e processos de criação. Dan (Daniel Tonacci), filho do realizador, se torna, de uma forma curiosa, uma espécie de protagonista dessa trama. A forma sutil como a montagem nos faz percorrer esse imaginário pessoal é única, combinando texturas, climas, ritmos, sonoridades e formas. Para ser revisto. Espero poder voltar esse filme brevemente, pois ele dá novo fôlego à linhagem dos "filmes-diário".

Num momento de dor no cinema brasileiro, curiosamente/inesperadamente vejo em JA VISTO JAMAIS VISTO um impressionante filme sobre a relação de um pai com um filho. Uma carta de amor de um pai para um filho.

Grande encerramento da Mostra de Tiradentes. Sessão antológica com esse filme de Tonacci e LINGUAGENS, de Luiz Rosemberg Filho. O curta de Rosemberg prossegue seu trabalho com filmes-ensaio compostos de colagens, baseados em leituras críticas de extensos artigos escritos pelo próprio realizador. No entanto, aqui LINGUAGENS se articula com JA VISTO JAMAIS VISTO por conta de seu incrível começo. Planos lentos em zoom aproximam-se de um grande mural, colado em uma das paredes da casa de Rosemberg. Nesse mural, há um conjunto de fotos: fotos de artistas que o influenciaram, bastidores dos filmes do realizador, fotos de amigos, seu pai, seu cachorro falecido, antigos amores. Enfim, toda a vida de Rosemberg, suas influências, estão todas ali naquele quadro-colagem. A forma delicada como o zoom recorta quase ao acaso um pedaço de uma ou outra foto, articulada com uma canção de Mahler, revela-se um ensaio sobre a memória, sobre as passagens da vida.

LINGUAGENS e JA VISTO JAMAIS VISTO, cada um à sua maneira, comprovam a vitalidade e a atualidade desses dois grandes realizadores do cinema brasileiro: LUIZ ROSEMBERG FILHO e ANDREA TONACCI.


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