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Cinecasulofilia

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domingo, março 15, 2015

SLEEPLESS NIGHTS STORIES




Muitos dos filmes do Jonas Mekas são sobre o ato de ver. Mekas, como sabemos, fazia seus filmes-diário sozinho. Mas engana-se quem, a partir disso, acha que seus filmes são meros relatos sobre a solidão. Em alguns momentos, como em Song of Avignon, a solidão ressoa, mas em boa parte de seus filmes Mekas não se filma em casa sozinho, mas em contato com pessoas e com o mundo, a céu aberto, porque a natureza e a possibilidade de estar vivo são motores do seu cinema. Falo isso como uma aproximação aos desafios de SLEEPLESS NIGHTS STORIES. Um filme sobre a insônia. Mas durante a insônia, Mekas não se refugia em casa, e sim procura o outro. Se muitos dos filmes do Jonas Mekas são sobre o ato de ver, este aqui é sobre a possibilidade de estar junto (con-viver) e de ouvir. Um filme sobre como ouvir. É como se, na maturidade, Mekas fosse um curioso em aprender, mais do que em ensinar. A simplicidade do registro desse filme revela uma ética do cinema de Mekas, e as transformações na sua forma de filmar com o digital. Aqui, não há jogo com as texturas e o foco. Basta ouvir. E para ouvir, é preciso de alguma forma se aproximar e é preciso tempo. A ética do filme é movida pelo respeito ao tempo e ao espaço de cada um, pela curiosidade pelo outro, pela possibilidade de ouvir. Em nosso mundo de hoje em que as diferenças são tão rechaçadas e que não temos mais tempo para o outro, me parece que SLEEPLESS NIGHTS STORIES prossegue, de outras formas, os desafios - éticos, estéticos, econômicos e políticos - de sempre do cinema de Mekas, em como a linguagem do cinema pode refletir a busca por um modo de ser mais humano.

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